quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Brasil: Aumenta confiança na Igreja Católica

Uma pesquisa divulgada nessa quarta-feira no Brasil mostra que a Igreja Católica saltou do sétimo para o segundo lugar no ranking de confiança da população nas instituições.

A pesquisa, realizada pela Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas em São Paulo, tinha como objetivo primeiro medir o Índice de Confiança na Justiça (ICJ Brasil).

De acordo com os dados, o Judiciário ficou em oitavo lugar, empatado com a polícia e à frente apenas do Congresso e dos partidos políticos.

Já a confiança na Igreja aumentou 60% do segundo para o terceiro trimestre deste ano, passado de 34% para 54%.

Luciana Gross Cunha, professora da Direito GV e coordenadora do ICJ Brasil, considera que a controvérsia sobre o aborto nas eleições presidenciais pesou para o aumento do índice de confiança na Igreja.

"A Igreja estava em um grau baixo de avaliação quando foi feita a apuração no segundo trimestre, muito perto da crise envolvendo a instituição com denúncias de pedofilia", disse Luciana ao jornal O Estado de S. Paulo.

"A última fase da coleta coincidiu com a discussão sobre o aborto nas eleições presidenciais. Isso fez a diferença", afirmou.

"A Igreja só perde para as Forças Armadas e ganha de longe do governo federal e, inclusive, das emissoras de TV, que normalmente são instituições consideradas confiáveis pela população", disse a pesquisadora.

Fonte: Zenit

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Ser santo é ser humano

Muitos pensam que para ser santo é necessário deixar de ser gente

Santificar-se é descobrir que o projeto de santidade ocorre com a ajuda do Espírito Santo, que move as diferentes pessoas nos diferentes tempos e faz uma obra maravilhosa. Move-nos em um movimento de felicidade. Porque ser santo é ser feliz.

A santidade é feita de momentos, do agora, de oportunidades, de encontros. Ao ler este artigo, você estará traçando um projeto de felicidade, pois poderia estar agora envolvido em outras mil e um coisas, mas está aqui diante desta página confrontando-se com estas palavras.

O Espírito Santo plasma em nós a todo momento uma atitude santa. Uma atitude beata (beato=feliz).

Não negligencie a felicidade que Deus lhe concede. Felicidade é santidade. E não se trata de uma felicidade passageira, uma felicidade “fast food”. Ela não é rápida como a internet de banda larga, mas compõe um projeto de continuidade, de começos, meios e fins.

Infelizmente, muitos pensam que para ser santo é necessário deixar de ser gente e esquecer que a vida é um projeto de bem-aventuranças (felicidade). Ser santo é ser gente na plenitude. É ser humano em tudo aquilo que comporta a palavra “humano”.

Jesus sempre fez este processo de humanização com as pessoas, fazendo-as tomarem posse de si mesmas e, assim, levando-as a se disporem. Ser pessoa não é só completar o que somos e temos de melhor, mas descobrir e cultivar o que temos de melhor para o benefício de outros. Isso é santidade. Santidade é ser melhor e não apenas “o melhor”.

Quer saber como ser santo? Faça bem todas as coisas. Leve Jesus para todos os lugares. Convide-O para estar em todos esses lugares. Santidade não é fuga do mundo, mas transformação deste mundo. É saber que podemos deixar marcas de céu na vida de todos aqueles que estão ao nosso redor. Isso é ser santo. Fazer bem todas as coisas e amar. Este é o segredo da santidade, a verdade de uma humanidade que vive na plenitude. O amor é tudo o que as pessoas procuram.

Não podemos desperdiçar nossa juventude. Devemos vivê-la intensamente, apostando tudo em Jesus e sendo gente, humanos. Sempre com a certeza de que é possível ser santo de calças jeans.

(Do livro "Santos de calça jeans" de Adriano Gonçalves, da Editora Canção Nova)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Papa fará visita de cortesia aos novos cardeais

As visitas de cortesia do Santo Padre aos 24 novos integrantes do Colégio Cardinalício acontecem no sábado, 20, entre 16h30 e 18h30 (em Roma - 13h30 e 15h30 no horário de Brasília). O Arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno Assis, integra a lista.

O Consistório Ordinário Público para a criação dos cardeais acontece neste sábado, 20, às 10h30 (em Roma - 7h30 no horário de Brasília). A cerimônia ocorre na Basílica de São Pedro e será presidida pelo Papa Bento XVI, com transmissão ao vivo pela TV Canção Nova.

No domingo, 21, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, o Papa presidirá à concelebração da Santa Missa com os novos cardeais na Basílica Vaticana, ocasião em que dará a cada um o Anel cardinalício.

"Os Cardeais têm a missão de ajudar o Sucessor do Apóstolo Pedro no cumprimento de sua missão de princípio e fundamento perpétuo e visível da comunhão na Igreja (cf. Lumen gentium, n. 18)", explicou o Santo Padre ao divulgar a lista com os nomes dos novos cardeais, logo após a Catequese do dia 20 de outubro.

Os novos cardeais provêm de quatro continentes: 15 europeus (incluindo 10 italianos); 4 africanos e americanos, 1 asiático. Este será o terceiro Consistório do Pontificado de Bento XVI. Os cardeais chegarão a um total de 203, dos quais 121 eleitores.

Leonardo Meira
Da Redação, com Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé

A tiara volta ao brasão pontifício

No domingo 10 de outubro foi ostentado pela primeira vez o brasão do Papa Bento XVI com a tiara pontifícia, símbolo exclusivo dos Pontífices. Até então havia em seu lugar uma mitra, símbolo próprio de um bispo. A empresa italiana de bordados de luxo Ars Regia — responsável pela confecção do brasão, bordado no tapete exposto sob a janela em que o Pontífice apareceu — explicou que este fora confeccionado segundo "antiga tradição".

A origem da tiara remonta ao Antigo Testamento. Deus disse a Moisés: "Farás também uma lâmina do mais puro ouro, na qual farás abrir por mão de gravador: 'Santidade ao Senhor'. E atá-la-ás com uma fita de jacinto e estará sobre a tiara, iminente à testa do pontífice. E Arão a levará sobre si. E sempre esta lâmina estará sobre a sua testa para que o Senhor lhe seja propício" (Ex, 28, 36-37). Aarão, irmão de Moisés, é o arquétipo de Sumo Sacerdote e prefigura dos Papas.

A tiara, ou tri-regno (tríplice reinado), consta de três coroas que simbolizam:


1ª) a jurisdição eclesiástica do Papa e o governo temporal sobre os feudos pontifícios;
2ª) a autoridade espiritual acima da autoridade temporal dos reis;
3ª) a autoridade efetiva sobre todos os soberanos, podendo nomeá-los ou depô-los.

Elas também significam o poder máximo na Ordem do Sacerdócio, na Jurisdição Universal e no Magistério Supremo. O cardeal Andrea Cordero Lanza di Montezemolo explicou ao jornal francês "La Croix" que a decisão de não mais usar a tiara havia sido do próprio Bento XVI, que agora a restaurou: "No dia seguinte ao de sua eleição — testemunhou o Cardeal — ele próprio disse-me que não queria que a tiara continuasse aparecendo, e desejava substituí-la por uma mitra". A restauração foi recebida com júbilo pelos católicos, admiradores dos símbolos da Cristandade.

Marcelo Dufaur

domingo, 14 de novembro de 2010

Imagem do Divino Pai Eterno é entregue ao Papa Bento XVI

A imagem peregrina do Divino Pai Eterno cruzou o oceano até o centro mundial da Igreja Católica, em Roma, na Itália. Ontem, o ícone foi entregue às 11h da manhã, horário de Roma, ao Santo Padre, Papa Bento XVI. A entrega da imagem aconteceu na Sala Pontifícia no Vaticano. O reitor do Santuário Basílica, pe. Robson de Oliveira, viajou na quinta-feira, 11, e se juntou ao arcebispo de Goiânia dom Washington Cruz e demais bispos para o encontro com o pontífice.
A imagem foi entregue pelo arcebispo dom Washington Cruz, na presença do reitor do Santuário Basílica, pe. Robson, no momento da visita “Ad limina Apostolorum”. Desde os primeiros tempos, a Igreja foi cimentando-se sobre a base de uma estreita união espiritual e formal entre os apóstolos e seus sucessores, sendo a visita “ad limina” a expressão atual dessa íntima relação e comunhão na fé e na missão. Esse costume remonta ao século IV e, mais tarde, em 1585, o Papa Sisto V a institucionalizou e dispôs a forma de realizá-la. Conforme a legislação eclesiástica, os bispos residenciais devem ir, a cada cinco anos, honrar os túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo e encontrar-se com o Santo Padre. É dentro dos rituais desta visita que a imagem foi entregue ao Papa Bento XVI.
De acordo com o arcebispo de Goiânia, o Papa explicou o sentido da imagem do Divino Pai Eterno e ficou muito feliz por recebê-la no Vaticano. “A gente também ficou muito alegre de ele ter identificado no coração do Brasil essa devoção que é destinada a ser a devoção de todos os brasileiros.” Padre Robson também comentou sobre a importância do momento. “Neste encontro, reafirmamos a comunhão eclesial da Igreja com os fiéis que são os filhos amados do Divino Pai Eterno. Foi um momento único e ficará marcado na história desta devoção que é a que mais cresce hoje no País.”
No ano de 2010 são comemorados os 170 anos de devoção ao Divino Pai Eterno. Devoção essa que surgiu no Centro-Oeste do Brasil, em terras goianas. O reitor tem realizado, durante todo o ano de 2010, visitas peregrinas com a imagem e agora a levou ao Papa, sucessor de Pedro, e vigário de Cristo na Terra.
Na entrega, o reitor do Santuário também pediu uma bênção especial do Santo Padre para todos os Filhos do Pai Eterno, membros da Afipe (Associação Filhos do Pai Eterno), e, em especial, àqueles que colaborarão com a construção da Nova Basílica.

Fonte: Diário da Manhã

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

“Verbum Domini” em cápsulas

Apresentamos algumas das passagens mais representativas da exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini, de Bento XVI, que recolhe as conclusões do Sínodo dos Bispos realizado no Vaticano em outubro de 2008, sobre "A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja".

* * *

Objetivo: "Desejo assim indicar algumas linhas fundamentais para uma redescoberta, na vida da Igreja, da Palavra divina, fonte de constante renovação, com a esperança de que a mesma se torne cada vez mais o coração de toda a atividade eclesial." (n. 1)

Religião da Palavra, não do livro: "A fé cristã não ser uma 'religião do Livro': o cristianismo é a 'religião da Palavra de Deus', não de 'uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo'." (7)

Tradição e Escritura: "É a Tradição viva da Igreja que nos faz compreender adequadamente a Sagrada Escritura como Palavra de Deus." (17)

Sagrada Escritura, inspiração e verdade: "A Sagrada Escritura é 'Palavra de Deus enquanto foi escrita por inspiração do Espírito de Deus'. Deste modo se reconhece toda a importância do autor humano que escreveu os textos inspirados e, ao mesmo tempo, do próprio Deus como verdadeiro autor." (19)

Deus escuta o homem: "É decisivo, do ponto de vista pastoral, apresentar a Palavra de Deus na sua capacidade de dialogar com os problemas que o homem deve enfrentar na vida diária. (...) A pastoral da Igreja deve ilustrar claramente como Deus ouve a necessidade do homem e o seu apelo." (23)

Exegese: "No seu trabalho de interpretação, os exegetas católicos jamais devem esquecer que interpretam a Palavra de Deus. A sua tarefa não termina depois que distinguiram as fontes, definiram as formas ou explicaram os processos literários. O objectivo do seu trabalho só está alcançado quando tiverem esclarecido o significado do texto bíblico como Palavra atual de Deus." (33)

Antigo Testamento e judaísmo: "A compreensão judaica da Bíblia pode ajudar a inteligência e o estudo das Escrituras por parte dos cristãos. (...) O Novo Testamento está oculto no Antigo e o Antigo está patente no Novo. (...) Desejo afirmar uma vez mais quão precioso é para a Igreja o diálogo com os judeus." (41/43)

Bíblia e ecumenismo: "Na certeza de que a Igreja tem o seu fundamento em Cristo, Verbo de Deus feito carne, o Sínodo quis sublinhar a centralidade dos estudos bíblicos no diálogo ecumênico, que visa a plena expressão da unidade de todos os crentes em Cristo." (46)

Traduções, serviço ao ecumenismo: "A promoção das traduções comuns da Bíblia faz parte do trabalho ecumênico. Desejo aqui agradecer a todos os que estão comprometidos nesta importante tarefa e encorajá-los a continuarem na sua obra." (46)

Escritura e Liturgia: "Exorto os Pastores da Igreja e os agentes pastorais a fazer com que todos os fiéis sejam educados para saborear o sentido profundo da Palavra de Deus que está distribuída ao longo do ano na liturgia, mostrando os mistérios fundamentais da nossa fé." (52)

A homilia: "É preciso que os pregadores tenham familiaridade e contato assíduo com o texto sagrado; preparem-se para a homilia na meditação e na oração, a fim de pregarem com convicção e paixão." (59)

Celebrações da Palavra de Deus: "Os Padres sinodais exortaram todos os Pastores a difundir, nas comunidades a eles confiadas, os momentos de celebração da Palavra. (...) Tal prática não pode deixar de trazer grande proveito aos fiéis, e deve considerar-se um elemento importante da pastoral litúrgica." (65)

Acústica: "Para favorecer a escuta da Palavra de Deus, não se devem menosprezar os meios que possam ajudar os fiéis a prestar maior atenção. Neste sentido, é necessário que, nos edifícios sagrados, nunca se descuide a acústica, no respeito das normas litúrgicas e arquitetônicas." (68)

Canto litúrgico: "No âmbito da valorização da Palavra de Deus durante a celebração litúrgica, tenha-se presente também o canto nos momentos previstos pelo próprio rito, favorecendo o canto de clara inspiração bíblica capaz de exprimir a beleza da Palavra divina por meio de um harmonioso acordo entre as palavras e a música. Neste sentido, é bom valorizar aqueles cânticos que a tradição da Igreja nos legou e que respeitam este critério; penso particularmente na importância do canto gregoriano." (70)

Atenção aos portadores de deficiência: "O Sínodo recomendou uma atenção particular àqueles que, por causa da própria condição, sentem dificuldade em participar ativamente na liturgia, como por exemplo os cegos e os surdos." (71)

A animação bíblica da pastoral: "O Sínodo convidou a um esforço pastoral particular para que a Palavra de Deus apareça em lugar central na vida da Igreja, recomendando que 'se incremente a pastoral bíblica, não em justaposição com outras formas da pastoral mas como animação bíblica da pastoral inteira'." (73)

Dimensão bíblica da catequese: "A atividade catequética implica sempre abeirar-se das Escrituras na fé e na Tradição da Igreja, de modo que aquelas palavras sejam sentidas vivas, como Cristo está vivo hoje onde duas ou três pessoas se reúnem em seu nome." (74).

Lectio Divina: "Nos documentos que prepararam e acompanharam o Sínodo, falou-se dos vários métodos para se abeirar, com fruto e na fé, das Sagradas Escrituras. Todavia prestou-se maior atenção à lectio divina, que 'é verdadeiramente capaz não só de desvendar ao fiel o tesouro da Palavra de Deus, mas também de criar o encontro com Cristo, Palavra divina viva'." (87)

Palavra de Deus e Terra Santa: "Os Padres sinodais lembraram a expressão feliz dada à Terra Santa: 'o quinto Evangelho'. Como é importante a existência de comunidades cristãs naqueles lugares, apesar das inúmeras dificuldades! O Sínodo dos Bispos exprime profunda solidariedade a todos os cristãos que vivem na Terra de Jesus, dando testemunho da fé no Ressuscitado." (89)

Anúncio e nova evangelização: "Há muitos irmãos que são 'batizados mas não suficientemente evangelizados'. É frequente ver nações, outrora ricas de fé e de vocações, que vão perdendo a própria identidade, sob a influência de uma cultura secularizada. A exigência de uma nova evangelização, tão sentida pelo meu venerado Predecessor, deve-se reafirmar sem medo, na certeza da eficácia da Palavra divina." (96)

Testemunho: "A Palavra de Deus alcança os homens através do encontro com testemunhas que a tornam presente e viva." (97)

Compromisso pela justiça: "A Palavra de Deus impele o homem para relações animadas pela rectidão e pela justiça, confirma o valor precioso aos olhos de Deus de todas as fadigas do homem para tornar o mundo mais justo e mais habitável." (100)

Direitos humanos: "Quero chamar a atenção geral para a importância de defender e promover os direitos humanos de toda a pessoa (...). A difusão da Palavra de Deus não pode deixar de reforçar a consolidação e o respeito dos direitos humanos de cada pessoa." (101)

Palavra de Deus e paz: "No contexto atual, é grande a necessidade de descobrir a Palavra de Deus como fonte de reconciliação e de paz, porque nela Deus reconcilia em Si todas as coisas (cf. 2 Cor 5, 18-20; Ef 1, 10): Cristo 'é a nossa paz' (Ef 2, 14), Aquele que derruba os muros de divisão." (102)

Palavra de Deus e proteção da criação: "O compromisso no mundo requerido pela Palavra divina impele-nos a ver com olhos novos todo o universo criado por Deus e que traz já em si os vestígios do Verbo, por Quem tudo foi feito (...). A arrogância do homem que vive como se Deus não existisse, leva a explorar e deturpar a natureza, não a reconhecendo como uma obra da Palavra criadora." (108)

Internet: "No mundo da internet, que permite que bilhões de imagens apareçam sobre milhões de monitores em todo o mundo, deverá sobressair o rosto de Cristo e ouvir-se a sua voz, porque, 'se não há espaço para Cristo, não há espaço para o homem'." (113)

Diálogo inter-religioso: "A Igreja reconhece como parte essencial do anúncio da Palavra o encontro, o diálogo e a colaboração com todos os homens de boa vontade, particularmente com as pessoas pertencentes às diversas tradições religiosas da humanidade, evitando formas de sincretismo e de relativismo." (117)

Diálogo e liberdade religiosa: "O respeito e o diálogo exigem a reciprocidade em todos os campos, sobretudo no que diz respeito às liberdades fundamentais e, de modo muito particular, à liberdade religiosa. Tal respeito e diálogo favorecem a paz e a harmonia entre os povos." (120)

Fonte: ZENIT

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Papa lança documento sobre Palavra de Deus na vida da Igreja

A Palavra de Deus é o tema central do mais recente documento escrito por Bento XVI, a Exortação Apostólica pós-sinodal Verbum Domini.

O texto recolhe as 55 reflexões e propostas da XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que aconteceu entre 5 e 26 de outubro de 2008 com o tema "A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja".

"Desejo assim indicar algumas linhas fundamentais para uma redescoberta, na vida da Igreja, da Palavra divina, fonte de constante renovação, com a esperança de que a mesma se torne cada vez mais o coração de toda a atividade eclesial", indica o Papa na introdução do documento.

A divulgação aconteceu durante uma coletiva na Sala de Imprensa da Santa Sé na manhã desta quinta-feira, 11, às 12h (em Roma – 9h no horário de Brasília).

Participaram da coletiva de imprensa de apresentação do texto o prefeito da Congregação para os Bispos, Cardeal Marc Ouellet; o presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, Dom Gianfranco Ravasi; o secretário-geral do Sínodo dos Bispos, Dom Nikola Eterović; e o sub-secretário do Sínodo dos Bispos, Dom Fortunato Frezza.

"Isso evidencia mais uma vez a prioridade da Palavra de Deus no seu Pontificado. [...] Poderia se concluir que o Santo Padre Bento XVI pode ser definido como o Papa da Palavra de Deus", ressalta Dom Eterović.

Estrutura

De acordo com o secretário-geral do Sínodo, a Exortação possui múltiplos objetivos:

1 - Comunicar os resultados da Assembleia sinodal; 2 – Redescobrir a Palavra de Deus, fonte de constante renovação eclesial; 3 – Promover a animação bíblica da pastoral; 4 – Sermos testemunhas da Palavra; 5 – Iniciar uma nova evangelização; 6 – Favorecer o diálogo ecumênico; 7 - Amar a Palavra de Deus.

Dom Eterović explica que a Verbum Domini é dividida em três partes: a primeira, Verbum Dei – dividida em três capítulos, sublinha o papel fundamental de Deus Pai, fonte e origem da Palavra (cf. VD, 20-21), bem como a dimensão trinitária da revelação; a segunda, Verbum in Ecclesia – dividida em três capítulos, coloca em realce que, pela Divina Providência, a Igreja é a casa da Palavra de Deus que acolhe o Verbo feito carne e que fez morada entre nós (cf. Jo 1, 14); e a terceira, Verbum mundo – dividida em quatro capítulos, salienta o dever dos cristãos de anunciar a Palavra de Deus no mundo em que vivem e trabalham.

O documento começa com uma Introdução, que fornece úteis indicações preliminares, entre as quais o objetivo da Exortação, e encerra-se com a Conclusão, em que são sintetizadas as ideias mais importantes. O texto já está disponível nas línguas latina, italiana, francesa, inglesa, alemã, espanhola, portuguesa e polonesa.

Maria, hermenêutica e Liturgia

De acordo com o Cardeal Ouellet, a Exortação "desenvolve uma visão dinâmica e dialógica da Revelação. [...] A revelação cristã é essencialmente um chamado ao diálogo, uma Palavra criadora de evento e de encontro, do qual a Igreja faz experiência desde as suas origens".

O prefeito da Congregação para os Bispos acrescenta que Maria permanece o insuperável modelo do relacionamento fecundo entre Igreja e Palavra de Deus, conforme indicado pelo Santo Padre no número 28 da Verbum Domini:

"A referência à Mãe de Deus mostra-nos como o agir de Deus no mundo envolve sempre a nossa liberdade, porque, na fé, a Palavra divina transforma-nos. Também a nossa ação apostólica e pastoral não poderá jamais ser eficaz se não aprendermos de Maria a deixar-nos plasmar pela ação de Deus em nós. [...] Contemplando na Mãe de Deus uma vida modelada totalmente pela Palavra, descobrimo-nos também nós chamados a entrar no mistério da fé, pela qual Cristo vem habitar na nossa vida", escreve Bento XVI.

Ouellet lembra que o Papa defende que é absolutamente necessário rezar com as Sagradas Escrituras para encontrar-se pessoalmente com Cristo. "Daí os numerosos desenvolvimentos da Verbum Domini sobre a Santa Liturgia, sobre a leitura orante e assídua dos textos sagrados, sobre a escuta e o silêncio, sobre a partilha da fé frente aos textos bíblicos, de modo particular na liturgia dominical", afirma.

A Exortação também assinala que a hermenêutica bíblica – chaves de interpretação da Escritura – precisa estar sempre a serviço da fé da Igreja, pois a interpretação da Bíblia flui da vida e do crescimento dessa. Ao tema, são dedicadas cerca de 40 páginas.

Já o sub-secretário do Sínodo dos Bispos, Dom Fortunato Frezza, falou sobre a centralidade física e programática do tema Liturgia no documento papal, pois ocupa as páginas do meio do volume.

"Liturgia e Palavra de Deus compenetram-se em estrita reciprocidade: a Palavra de Deus diviniza a ação litúrgica, a Liturgia é lugar privilegiado para a compreensão da Palavra de Deus, compreensão que se qualifica segundo o dinamismo paulino do conhecer para ser conhecido (cf. 1 Cor 13, 12) e do conhecer para operar na vida segundo o espírito (cf. Fil 3, 8; Ef 3, 16-20).

Copie e cole o endereço abaixo na barra de endereços da internet:
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/apost_exhortations/documents/hf_ben-xvi_exh_20100930_verbum-domini_po.pdf

Leonardo Meira

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Estreia hino da Jornada Mundial da Juventude 2011

O hino e a trilha sonora da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Madri 2011 estreou ontem, véspera da festa de Nossa Senhora da Almudena, padroeira de Madri.

Com o título "Firmes na fé", o hino foi interpretado pela Joven Orquesta de la Comunidad de Madrid (JORCAM) e pelo coral da Escolanía de El Escorial. Ambos os grupos gravaram o hino que será distribuído a partir do dia 19 de novembro.

"Firmes na fé" acompanhará os jovens na preparação e na realização da JMJ de Madri. Está inspirado no texto de São Paulo - "Enraizados e edificados n'Ele... firmes na fé" (Col 2,7) - escolhido por Bento XVI como tema da JMJ Madri 2011.

O autor da letra é o bispo auxiliar de Madri, César Franco, coordenador geral da JMJ.

Para Dom Franco, "as estrofes realçam a humanidade santíssima de Cristo, ao estilo da tradição mística espanhola, e pretendem aproximá-la dos jovens".

Enrique Vázquez, sacerdote vitoriano e compositor de música religiosa, compôs a melodia. O sacerdote recordou o processo de composição do hino, do qual destaca: "O primeiro desafio por pensar em uma melodia que ajudasse a entender o texto, cantá-lo e rezá-lo".

Da letra, afirmou: "As estrofes começam com um caráter mais lírico, que reflete o assombro, a admiração e o agradecimento diante da Pessoa e da obra do nosso Redentor".

A obra foi gravada em três versões: uma litúrgica, outra instrumental para grandes corais e, finalmente, uma versão popular, com acompanhamento de violão. As três versões estão disponíveis gratuitamente no site oficial da JMJ, no qual também podem ser baixadas, incluindo as partituras.

Quem preferir em formato de CD, pode adquiri-lo na editora San Pablo, que patrocinou a gravação do hino e a produção dos discos compactos.

Um clipe do hino, em versão multilíngue, será distribuído em breve.

Para baixar o hino (música, letra e partitura):
http://www.madrid11.com/es/oficina-de-prensa/descargas/346-himno-2011.

Lojas nas quais se vendem os CDs:
http://libreria.sanpablo.es/redlibrerias.php.

Fonte: ZENIT

terça-feira, 9 de novembro de 2010

SANTA SÉ: RECONHECER A DIGNIDADE DO SER HUMANO

“Reconhecimento da dignidade de cada pessoa implica absoluto respeito pela dimensão interior e transcendente da pessoa humana”: foi o que disse o Observador Permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas, Dom Francis Chullikatt, em Nova Iorque. “Os governos têm uma responsabilidade solene de proteger este direito inalienável” que é a liberdade religiosa, “e não permitir que seja ridicularizada e que os fiéis sejam perseguidos", expressou Dom Chillikat ao dirigir a atenção à grave situação na qual vivem os cristãos em muitas partes do mundo.

O Observador Permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas expressou ainda tristeza em relação ao documento enviado pelo Relator Especial das Nações Unidas para o direito à educação, Vernor Muñoz Villalobos, no qual se pede uma educação sexual pormenorizada obrigatória para as crianças, criticando aqueles países nos quais se permitem os pais retirem seus filhos de tais disciplinas. “Os pais, observou Dom Chullikat, têm “o direito e a responsabilidade de educar seus filhos”.

Ao concluir, o prelado insistiu que “os direitos humanos estão apoiados na dignidade inerente da pessoa humana, e estes direitos inalienáveis estão fundados na ordem moral natural, e são discerníveis através de uma reta razão, que é universal”. “Minha Delegação deve ser sincera”, disse, “os direitos humanos não mudam mais que do que a natureza humana é capaz de mudar”.

Fonte: Zenit

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

EXORTAÇÃO PÓS-SINODAL “VERBUM DOMINI” SERÁ PUBLICADA EM 11 DE NOVEMBRO

O documento pontifício recolhe os frutos do Sínodo sobre a Palavra de Deus
Na próxima quinta-feira, dia 11 de novembro, será apresentada na Santa Sé a exortação apostólica pós-sinodal de Bento XVI, Verbum Domini.
O documento pontifício recolhe as muitas reflexões e propostas surgidas durante o Sínodo dos Bispos sobre "A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja", realizado no Vaticano em outubro de 2008.
Nesta ocasião, intervirá o cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, Dom Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, Dom Nikola Eterović, secretário-geral do Sínodo, e Dom Fortunato Frezza, subsecretário.

Fonte: ZENIT

PE. FERNANDO BASTOS DE ÁVILA MORRE AOS 92 ANOS

Faleceu na manhã no ultimo sábado (06/11) em Belo Horizonte, o jesuíta Pe. Fernando Bastos de Ávila, na Casa de Saúde Irmão Brandão.

O carioca Pe. Ávila há 75 anos ingressou na Companhia de Jesus e era membro da Academia Brasileira de Letras, onde ocupava a Cadeira nº 15. Ex-Reitor da Puc do Rio de Janeiro, criou nessa Universidade a Escola de Sociologia, Política e Economia.

João Paulo II o nomeou membro da Comissão Pontifíca de Justiça e Paz. Doutor em Filosofia e Telogia pela Universidade Gregoriana, Roma e Doutor em Ciências Políticas e Sociais pela Universidade de Louvain, Bélgica, quando defendeu a tese "L’ Immigration au Brésil" aprovada com a mais alta distinção.

Professor de Introdução às Ciências Sociais e de Doutrina Social da Igreja, formou uma geração de eminentes cientistas sociais. Criou a revista Síntese Política, Econômica e Social, com ampla divulgação dentro e fora do ambiente universitário.

Foi um dos intelectuais que se empenhou pelo reconhecimento da profissão de sociólogo e, em 1969 fez parte do grupo que elaborou a reforma universitária.

Pe. Ávila foi solicitado a preparar o livro-texto da disciplina de Moral e Civismo, quando criada pelo Governo Federal. Com uma equipe de especialistas organizou a Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo, considerada subversiva, e por isso apreendida.

Quando foi criado o IBRADES, Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, instituição destinada a assessorar a CNBB, Pe. Ávila foi o seu primeiro diretor. Também durantes muitos anos assessorou os bispos do Brasil como analista da situação sócio-política do país. Por causa de sua independência chegou a ser levado a um Inquérito Policial Militar.

Interessado pela participação do clero no Parlamento brasileiro, empreendeu uma pesquisa nos 176 volumes dos Anais do Parlamento brasileiro. Junto com o Pe. Pierre Bigot, SJ, trabalhou na preparação de um livro sobre a difusão da Doutrina Social da Igreja na América Latina.

Pe. Ávila deixa quinze livros publicados e numerosos ensaios, artigos e conferências.

Fonte: Rádio Vaticano.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

D. Eugênio 90 anos

A Igreja Particular de São Sebastião do Rio de Janeiro, unida à Igreja que peregrina no Brasil e à universalidade de toda a Igreja Católica no mundo, rendem uníssona um hino de ação de graças a Deus pelos 90 anos da abençoada existência de Sua Eminência Reverendíssima o Cardeal Eugênio de Araújo Sales, quinto Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Dom Eugênio, nascido a 08 de novembro de 1920, em Acari, no Rio Grande do Norte, da família abençoada de Josefa de Araújo Sales e do desembargador Celso Dantas Sales, constituiu uma vida e uma longa folha de serviços eclesiásticos prestados, com humildade, perseverança e dedicação, desde os tempos de jovem padre ordenado na Arquidiocese de Natal, em 21 de novembro de 1943, pela imposição das mãos de Dom Marcolino Esmeraldo de Souza Dantas, bispo de Natal.

Como bispo, nomeado a 1º de junho de 1954, com apenas trinta e três anos, para Bispo Auxiliar de Natal. Em 1962 foi nomeado Administrador Apostólico de Natal. Foi Administrador Apostólico de São Salvador da Bahia em 1964, sendo nomeado Arcebispo Primaz do Brasil em 29 de outubro de 1968. O Papa Paulo VI inscreveu Dom Eugênio no Sacro Colégio dos Cardeais no consistório de 28 de abril de 1969, com o título de São Gregório VII. Em 13 de março de 1971, o Papa Paulo VI transferiu o Cardeal Sales para Arcebispo do Rio de Janeiro. Por fecundos trinta anos, a Igreja do Rio foi guiada por Dom Eugênio até a sua renúncia ter sido aceita pelo Papa, aos oitenta anos, em 25 de julho de 2001.

Desde jovem sacerdote em Natal, Dom Eugênio foi preocupado com a formação do clero e com os meios necessários para anunciar o Evangelho de Jesus Cristo. Depois de ser nomeado bispo, Dom Eugênio, em Natal, foi pioneiro em ações pastorais para a Igreja no Brasil, como a idealização da Campanha da Fraternidade, a criação das comunidades eclesiais como forma pastoral, a entrega de paróquias às religiosas, a motorização do clero, as escolas radiofônicas, os sindicatos rurais. Ações estas que foram feitas com grande entusiasmo, muita discrição e colocando sempre em primeiro lugar a necessidade de que a Igreja usasse todos os meios necessários, particularmente os meios de comunicação social, para anunciar o Evangelho, para dar dignidade aos mais pobres, dando-lhes condições de trabalho digno, de renda e de organização para lutar pelos seus direitos.

A fecundidade das múltiplas ações pastorais, sociais e caritativos de Dom Eugênio, em Natal, fizeram com que o seu amigo Dom Helder Câmara, ao fundar a CNBB junto com os Cardeais Motta e Câmara, colocasse em prática as inovações pastorais criadas por Dom Eugênio, sendo que a Campanha da Fraternidade, nascida em Natal sob a guia do jovem Bispo potiguar, assumida pelo Episcopado, logo se espalhasse para todo o Brasil, numa capilaridade pastoral perfeita em que assuntos prementes da vida eclesial sejam discutidos e trabalhados sempre na busca de soluções melhores para a vida do nosso povo.

O Cardeal Dom Jaime, antes de morrer, já começava a aplicar na Arquidiocese do Rio as mudanças propostas pelo Concílio Vaticano II. Dom Eugênio, ao chegar ao Rio de Janeiro, implementou imediatamente as ações evangelizadoras do Concílio Vaticano II, mesmo com as normais dificuldades. Manteve firme a sua confiança inabalável em Deus e governou esta Igreja como sua esposa, sendo o Bom Pastor que conhecia as suas ovelhas, que as chamava pelos nomes e que as confirmava na irrestrita fidelidade a Deus, à Igreja, à Sé de Pedro e ao Papa.

A Igreja do Rio viveu esta comunhão e esta unidade pastoral na fidelidade e no silêncio da ajuda caritativa que sempre chegou aos mais pobres e mais desvalidados, principalmente com a Cruzada de São Sebastião, o Banco da Providência, com a sua Feira da Providência, a Pastoral do Menor, a Pastoral da Criança, entre outras muitas atividades sociais. Muitas ações de Dom Eugênio foram consideradas fundamentais na vida da cidade do Rio, como aquela ação em favor dos mais pobres, como no caso em que os moradores da favela do Vidigal não foram removidos graças à sua intervenção através da pastoral das favelas. Dom Eugênio subia e descia as favelas, morros e bairros de nossa cidade sempre dialogando e levando a Palavra de Deus aos mais pobres e desvalidos, cuidando de seus direitos, sem se esquecer de dialogar com todos os demais habitantes, principalmente com os construtores da sociedade.

A preocupação permanente da formação do clero foi uma das marcas de Dom Eugênio, que renovou o Seminário São José, incentivando as vocações, ordenando muitos presbíteros (215 durante o seu episcopado) e dando uma assistência especial, por si ou por seus bispos auxiliares, aos padres de sua Arquidiocese.

Bendizemos a Deus pelas vocações sacerdotais e o seu incremento no governo de Dom Eugênio, com muitas ordenações e o seu carinho pelo clero. Para com os bispos do Brasil, organizou anualmente o curso dos Bispos no Sumaré, em que teve a alegria de hospedar em sua primeira edição o então Cardeal Joseph Ratzinger, que veio falar ao episcopado e, depois do mesmo, falou para leigos e religiosos. Estes encontros, dos quais eu mesmo participei em seu governo, eram e ainda são momentos de oração, de renovação espiritual e de atualização nas várias áreas da teologia e dos assuntos eclesiais.


Não podemos deixar de dizer da ampla e silenciosa rede de assistência aos mais pobres que foi idealizada, levada a efeito e protegida por Dom Eugênio em seu longo governo de trinta anos em nossa Arquidiocese. Não era apenas um discurso a defesa dos pobres, mas na prática, no dia a dia, no socorro de suas necessidades e na sua colocação profissional, ou seja, a sua promoção. O Cardeal Sales, silenciosamente, como ele mesmo gosta de dizer, protegeu os presos políticos, ajudou-os materialmente e foi a sua voz junto aos militares, e sempre foi ouvido pelo respeito de suas posições sempre claras, não se comprometendo nem com os militares e nem com a luta armada. Todos conhecem histórias de como ele mesmo levava pessoas que necessitavam sair do país, com o seu veículo, até o Aeroporto. Dom Eugênio é também referência para os refugiados na América Latina e a sua ação, silenciosa e persistente, deu asilo e proteção a muitas pessoas perseguidas em seus países. Muitos hoje retornam e fazem questão de dizer como o Arcebispo do Rio agia com energia e ajudava os que mais precisavam.

No mundo da cultura, o episcopado de Dom Eugênio foi admirável, não só no diálogo com o vasto mundo intelectual do Rio de Janeiro, mas nas parcerias entre a Arquidiocese e a intelectualidade. Homem da boa imprensa, sempre manteve colunas semanais nos jornais Diário de Notícias, O Dia, Jornal do Commercio e O Jornal. Atualmente escreve no jornal O Globo e no Jornal Testemunho de Fé, este da Arquidiocese do Rio.

Desde o início no Rio de Janeiro até recentemente tinha programas semanais nas TVs Tupi, Rio, Globo, Educativa, RedeVida, Canção Nova e Rádios, entre elas Nacional, Vera Cruz, Roquete Pinto, Jornal do Brasil, Carioca, Catedral e Canção Nova. Um homem admirável, que unia doutrina com a ortopraxis, sendo fidelíssimo a Deus, à Igreja e aos Romanos Pontífices.

Homem da Igreja, homem de oração, homem de fé! Dom Eugênio enfrentou as alegrias e as tristezas, enfrentou os trabalhos e as adversidades com a serenidade de um homem de fé, que tendo como exército o breviário, o rosário, a confiança em Deus e a promessa de Cristo a Pedro que de as “portas do inferno jamais sucumbirão a Igreja”, passou por tudo com a serenidade dos justos. Tudo isso foi possível porque invocou sempre a proteção de São Sebastião e de Santana, Padroeiros do Rio de Janeiro, e sempre contemplou e orou diante do Cristo Redentor, que, protegendo a sua vida e o seu ministério, o inspirou muito em fazer, de sua maneira, o melhor bem espiritual para o Rio de Janeiro.

A Igreja do Rio se reúne solenemente neste dia 06 para dizer que tem muito a agradecer a Deus pelo grande Patriarca que ela respeita e agradecer o seu ministério, a sua vida, a sua fidelidade, o seu exemplo. A síntese da vida de meu predecessor se traduz no seu lema – “Impendam et superimpendar”, fundamenta-se na Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios (2Cor 12, 15): “Quanto a mim, de muita boa vontade gastarei o que for preciso e me gastarei inteiramente por vós.”

Assim, nós que temos o peso e tremor de suceder ao querido Cardeal Sales, podemos resumir a sua vida da seguinte forma: Um homem que se consagrou a Deus, cujas promessas da ordenação sacerdotal foram vividas rigorosamente no exercício do seu ministério através da fidelidade ao Papa e à Igreja, e no serviço em prol dos mais necessitados. Não lhe importava, ou não importa agradar, mas ser fiel a Cristo sendo, por isso, Sua testemunha. A sua vida de oração, os seus sentimentos, os seus pensamentos, sua conduta, seus afazeres têm uma meta: a causa do Reino.

E a causa do Reino consumiu a sua fidelidade, e nós dizemos: Muito obrigado, Cardeal Sales, pelo exemplo que edificou, pela Palavra que santificou, pela Igreja que uniu, pela fidelidade ao Magistério que ensinou e, ainda mais, sua missão para que aparecesse sempre mais o Cristo que, visibilizado na imagem do Cristo Redentor, fosse Ele a iluminar e abençoar, através de sua ação ministerial a Igreja do Rio e a Igreja Católica.

Dom Orani João Tempesta é Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ibope aponta empate técnico entre Perillo e Iris para o governo de Goiás

Pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira (27) aponta empate técnico entre os candidatos ao governo de Goiás Marconi Perillo (PSDB) e Iris Rezende (PMDB).
Considerando os votos válidos (sem brancos, nulos e indecisos), Perillo registra 51% e Rezende, 49%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
O levantamento, encomendado pela TV Anhaguera, afiliada da Rede Globo, foi realizado com 1.204 pessoas em 55 municípios entre os dias 24 e 26 de outubro. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Goiás sob o número 53868/2010 e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 37516/2010.
Considerando os votos totais, Marconi Perillo aparece com 46% e Iris Rezende, com 45%. Indecisos somam 5% e brancos e nulos, 4%.

Fonte: Portal de notícias G1

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Em ato na USP, Marilena Chaui diz que PSDB foi obsceno ao usar religião na campanha

A filósofa Marilena Chaui disse nesta segunda-feira em ato na USP em apoio a Dilma Rousseff que o PSDB passou do deboche à obscenidade ao empregar motivos religiosos para atacar a candidata do PT.

"O santinho [que liga Jesus a José Serra] é obsceno, pois não tem respeito pelo sagrado. (...) É obsceno politicamente, porque a grande conquista da democracia moderna é a República laica", disse Chaui, que é professora titular da USP e ideóloga do PT.
A filósofa fez também um alerta. Segundo ela, um conhecido "ouviu um diálogo" em que duas pessoas diziam que, no comício de Serra no dia 29, um grupo vestido com camisetas do PT atacaria os militantes tucanos para jogar a culpa nos petistas.

Chaui participou de um "ato suprapartidário" organizado por professores e alunos da USP em apoio a Dilma que contou com a presença de cerca de mil pessoas, entre as quais Celso Antonio Bandeira de Mello, Vladimir Safatle e Antonio Candido, representado por sua filha.

No evento, a principal preocupação manifestada foi com os eleitores de esquerda que pretendem anular o voto.

Antes de Chaui, entre os professores que insistiram na existência de diferenças entre Serra e Dilma, num discurso voltado sobretudo para os defensores do voto nulo, estava o crítico Alfredo Bosi.

Segundo Bosi, está em jogo o confronto entre a consolidação de um projeto de distribuição de renda, com Dilma, e o retrocesso, com Serra. "Nosso voto não é cego, é crítico", disse Bosi. "A confiança e a esperança [na continuidade do projeto de Lula] não nos isentam de continuar lutando."

A socióloga Heloísa Fernandes, filha de Florestan Fernandes, num discurso emocionado em que afirmou que o pai gostaria de estar ali, disse ter votado em Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) no primeiro turno, mas que agora votaria em Dilma.

"Discordo que não existam diferenças nem acho que os dois candidatos sejam farinha do mesmo saco."

UIRÁ MACHADO DE SÃO PAULO

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Ameaças à democracia por Carlos Alberto Di Franco

Em 1964, sob o pretexto de preservar a democracia ameaçada por um presidente da República manipulado pelo radicalismo das esquerdas, os militares tomaram o poder. E o que se anunciava como intervenção transitória, com ânimo de devolver o poder aos civis, se transformou no pesadelo da ditadura. A imprensa foi amordaçada. Lideranças foram suprimidas. Muitas injustiças foram cometidas em nome da democracia. Lembro-me da decepção de um primo-irmão de minha mãe, professor Antônio Barros de Ulhôa Cintra, ex-reitor da Universidade de São Paulo e ex-secretário da Educação do Estado. Seu espírito liberal e independente, incompatível com a mentalidade de pensamento único que então prevalecia, provocou a ira dos donos do poder. Como ele, inúmeros brasileiros, cultos e intelectualmente inquietos, escorregaram para o limbo do regime que via comunista em todo canto. Resistiram empunhando as armas da inteligência e da autoridade moral que não cede à sedução do poder.

O que se viu no transe da ditadura foi o germinar de duas tendências opostas: liberdade versus autoritarismo. Os democratas, como Tancredo Neves, Ulisses Guimarães, entre outros, partiram para luta contra a ditadura, mas sempre apontando para o horizonte de um regime aberto. Outros, como Dilma Rousseff e Franklin Martins, partiram para a clandestinidade. Passaram-se muitos anos. A guerilha foi substituída pelos ensinamentos de Gramsci, pela força do marketing político e pela manipulação populista das massas desvalidas. Mas a alma continua a mesma: autoritária. A hipótese de que caminhamos para uma aventura antidemocrática não se apoia apenas na intuição e na experiência da história. Ela está gritando na força inequívoca dos fatos. Vamos lá, caro leitor.

Em discurso, ao lado do presidente Lula, o ministro Franklin Martins criticou a imprensa e disse que os jornais e emissoras de TV vão perder o controle sobre as notícias levadas à opinião pública. Eles participaram do lançamento da TVT, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Franklin disse que o canal ajudará a internet a quebrar o poder dos “aquários”, jargão que identifica a chefia das redações dos grandes jornais. “Isso é uma revolução e incomoda muita gente que ficava no Olimpo. Mas é irreversível, e está apenas começando”. O inimigo é claro e declarado: a imprensa independente. A mesma que combateu a a ditadura militar e que se opõe, e se oporá sempre, aos novos ímpetos autoritários que se vislumbram no horizonte pós-eleitoral.

O projeto de controle das comunicações e das liberdades públicas não é uma possibilidade. É um estratégia em clara implantação. O respeitado especialista Ethevaldo Siqueira, em artigo no jornal O Estado de S.Paulo, fez uma impressionante radiografia do avanço controlador. “O PT não quer simplesmente continuar, mas se prepara para aprofundar o aparelhamento do Estado na área das Comunicações. Ao longo de quase oito anos, o partido ocupou quase todos os espaços de poder na área de comunicações”, diz Siqueira. O governo Lula esvaziou e desprofissionalizou as agências reguladoras, concentrou seus esforços na formulação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) e na recriação da Telebrás. “Criou a Empresa Brasileira de Comunicações (TV Brasil), e passou a cuidar quase secretamente da questão da banda larga e da Telebrás”. A estratégia petista de poder consiste em aprofundar o aparelhamento e a ocupação total do precioso território estatal das comunicações, conclui Siqueira.

A tomada das comunicações, clara, aberta e despudorada, é mais um capítulo, mas não encerra os procedimentos previstos no manual de instruções antidemocrático. Assistimos, atônitos, à transformação de instituições da República em autênticas estruturas de coordenação de ações criminosas. É o caso da violação do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB. Reportagem dos jornalistas Leandro Colon e Rui Nogueira, ambos da sucursal de Brasília do Estadão, revelou que além de Eduardo Jorge Caldas, mais três pessoas ligadas ao PSDB tiveram seus sigilos fiscais violados. Parte dessas informações, aquela relativa a Eduardo Jorge, foi parar nas mãos de setores petistas e de lá na redação do jornal Folha de S.Paulo, que divulgou a história. Trata-se da instalação do clima de insegurança institucional. Ninguém está livre do assalto à cidadania.

Por incrível que pareça, Eduardo Jorge só teve acesso às investigações da Receita graças a uma decisão judicial. E aí ficou muito claro que as quebras de sigilo não foram fatos isolados, mas parte de um esquema. Com a bomba no colo, o governo partiu para um gesto teatral: a entrevista concedida às pressas pelo chefe da Receita Federal. Foi patética. Tudo não teria passado de um esquema de propina na delegacia da Receita em Mauá. É a versão atualizada do caso dos aloprados. A explicação da Receita, embora carregada de nonsense, só aconteceu por uma razão: a pressão incontornável da verdade informativa. É isso que incomoda. É isso que se quer controlar. Algemada a imprensa, sucumbe a liberdade e morre a cidadania. Controle das comunicações, cerco à imprensa independente, aparelhamento das instituições. Delírio persecutório? Não. Fatos. Só fatos.

É sombrio o horizonte da democracia brasileira. Agora, com a economia turbinada, tudo é festa e a capacidade crítica se esvai. Mas um país com imprensa ameaçada, oposição esfacelada, instituições aparelhadas, comunicação controlada e sob o efeito de um crescente populismo assistencialista é tudo, menos uma democracia. Escarmentemos no exemplo venezuelano. Cabe-nos resistir, como no passado, com as armas do profissionalismo, da ética inegociável e da defesa da liberdade. A democracia pode cambalear, mas sempre prevalece.

Carlos Alberto Di Franco, diretor do Master em Jornalismo (www.masteremjornalismo.org.br), professor de Ética e doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, é diretor da Di Franco – Consultoria em Estratégia de Mídia (www.consultoradifranco.com)e colaborador deste blog. E-mail: difranco@iics.org.br

sábado, 11 de setembro de 2010

UMA INIMIZADE DEUS ESTABELECEU.

Impossível haver harmonia entre virtude e vício, verdade e erro, honestidade e vileza, justiça e iniqüidade. Como também é impossível haver consórcio entre a luz e as trevas, os filhos da Virgem e os filhos da serpente infernal. Pois os inimigos de Deus não podem ser nossos amigos. Vejamos o que, a esse respeito, diz o grande apóstolo marial, autor do célebre Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, São Luís Grignion de Montfort:

"Inimicitias ponam inter te et mulierem, et semen tuum et semen illius; ipsa conteret caput tuum, et tu insidiaberis calcaneo eius" (Gn 3, 15): Porei inimizades entre ti e a mulher, e entre a tua posteridade e a posteridade dEla. Ela te pisará a cabeça, e tu armarás traições ao seu calcanhar.

"Uma única inimizade Deus promoveu e estabeleceu, inimizade irreconciliável, que não só há de durar, mas aumentar até o fim: a inimizade entre Maria, sua digna Mãe, e o demônio; entre os filhos e servos da Santíssima Virgem e os filhos e sequazes de Lúcifer; de modo que Maria é a mais terrível inimiga que Deus armou contra o demônio. Ele lhe deu até, desde o paraíso, tanto ódio a esse amaldiçoado inimigo de Deus, tanta clarividência para descobrir a malícia dessa velha serpente, tanta força para vencer, esmagar e aniquilar esse ímpio orgulhoso, que o temor que Maria inspira ao demônio é maior que o que lhe inspiram todos os anjos e homens e, em certo sentido, o próprio Deus.

Não que a ira, o ódio, o poder de Deus não sejam infinitamente maiores que os da Santíssima Virgem, pois as perfeições de Maria são limitadas; mas, em primeiro lugar, Satanás, porque é orgulhoso, sofre incomparavelmente mais, por ser vencido e punido pela pequena e humilde escrava de Deus, cuja humildade o humilha mais que o poder divino; segundo, porque Deus concedeu a Maria tão grande poder sobre os demônios, que, como muitas vezes se viram obrigados a confessar, pela boca dos possessos, infunde-lhes mais temor um só de seus suspiros por uma alma, que as orações de todos os santos; e uma só de suas ameaças, que todos os outros tormentos.

"O que Lúcifer perdeu por orgulho, Maria ganhou por humildade. O que Eva condenou e perdeu pela desobediência, salvou-o Maria pela obediência. Eva, obedecendo à serpente, perdeu consigo todos os seus filhos e os entregou ao poder infernal; Maria, por sua perfeita fidelidade a Deus, salvou consigo todos os seus filhos e servos e os consagrou a Deus.

"Deus não pôs somente inimizade, mas inimizades, e não somente entre Maria e o demônio, mas também entre a posteridade da Santíssima Virgem e a posteridade do demônio. Quer dizer, Deus estabeleceu inimizades, antipatias e ódios secretos entre os verdadeiros filhos e servos da Santíssima Virgem e os filhos e escravos do demônio. Não há entre eles a menor sombra de amor, nem correspondência íntima existe entre uns e outros. Os filhos de Belial, os escravos de Satã, os amigos do mundo (pois é a mesma coisa) sempre perseguiram até hoje e perseguirão no futuro aqueles que pertencem à Santíssima Virgem, como outrora Caim perseguiu seu irmão Abel, e Esaú, seu irmão Jacob, figurando os réprobos e os predestinados. Mas a humilde Maria será sempre vitoriosa na luta contra esse orgulhoso, e tão grande será a vitória final que Ela chegará ao ponto de esmagar-lhe a cabeça, sede de todo o orgulho. Ela descobrirá sempre sua malícia de serpente, desvendará suas tramas infernais, desfará seus conselhos diabólicos, e até o fim dos tempos garantirá seus fiéis servidores contra as garras de tão cruel inimigo". (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, Ed. Vozes - VII Edição, Petrópolis, 1971, pp. 54-56) (grifos nossos).

SÃO LUÍS GRIGNION DE MONFORT

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Fidel Castro diz que modelo econômico cubano não funciona mais

Fidel Castro disse que o modelo econômico de Cuba não funciona mais, escreveu um jornalista dos EUA na quarta-feira, após realizar entrevistas com o ex-presidente cubano na semana passada.
Jeffrey Goldberg, articulista da revista Atlantic Monthly, contou num blog que perguntou a Fidel, de 84 anos, se ainda vale a pena tentar exportar o modelo comunista cubano para outros países. "O modelo cubano não funciona mais nem para nós", teria respondido Fidel.
O comentário parece refletir a concordância de Fidel - já manifestada numa coluna em abril na imprensa estatal cubana - com as modestas reformas econômicas que vêm sendo promovidas por seu irmão caçula Raúl, atual presidente de Cuba.
Goldberg disse que Julia Sweig, especialista em Cuba na entidade norte-americana Conselho de Relações Exteriores, que o acompanhou a Havana, acredita que as palavras de Fidel reflitam uma admissão de que "o Estado tem um papel grande demais na vida econômica do país".
Tal sentimento ajudaria Raúl, no poder desde 2008, contra membros do Partido Comunista que são contrários às tentativas de enfraquecer o domínio econômico estatal, disse Sweig a Goldberg.
Na terça-feira, Goldberg escreveu que Fidel o chamou a Havana para discutir seu recente artigo sobre a possibilidade de um conflito nuclear entre Israel e Irã, com possível envolvimento dos EUA.
O jornalista disse que Fidel criticou o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, por fazer comentários antissemitas e negar a existência do Holocausto.
Depois de reaparecer em público após quatro anos de afastamento por motivos de saúde, Fidel se tornou um ativista do desarmamento nuclear. Ele teme uma guerra atômica caso Israel e os EUA tentem impor o cumprimento de sanções internacionais ao programa nuclear iraniano. Washington e seus aliados acusam Teerã de tentar desenvolver armas atômicas, o que a República Islâmica nega.
Fidel também criticou suas próprias ações durante a chamada Crise dos Mísseis, em 1962, quando ele aceitou a instalação de ogivas nucleares soviéticas na ilha e tentou convencer Moscou a atacar os EUA. Na entrevista a Goldberg, ele disse que aquele impasse "não valeu nada a pena".
Durante a visita, Goldberg e Sweig foram com Fidel, a convite dele, assistir a uma exibição de golfinhos no Aquário Nacional de Cuba. Estavam acompanhados pela líder judaica local Adela Dworin, a quem Fidel beijou diante das câmeras, numa possível mensagem aos líderes iranianos, disse Goldberg no seu blog na quarta-feira.
O autor disse que Fidel lhe pareceu fisicamente frágil, mas mentalmente lúcido e com energia.

Jeff Franks em Havana (Cuba)

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A linguagem em São Tomás de Aquino

Em geral a antropologia interpreta a língua como sendo um produto histórico-social. Já na ramificação filosófica desta ciência, o homem é considerado como sendo um ser de “linguagem” e um ser “social” e ao utilizar-se da linguagem, ele se revela e revela a realidade do mundo. Numa perspectiva tomista e antropológica cristã, o homem por ser naturalmente social, não lhe basta sentir, julgar ou querer. Ele deseja comunicar as suas impressões e pensamentos aos seus semelhantes e como veremos, até mesmo com o próprio Deus.

Por isto, não podendo manifestar a idéia propriamente, ele dá sinais e fala. Desta maneira, a linguagem se fundamenta na capacidade que os homens têm para comunicar-se entre si, e isto é feito através de símbolos, entre outros os lingüísticos, fazendo com que as sensações ou impressões sejam detectadas por um ou vários dos nossos sentidos.

4.2.1 A capacidade racional do homem e a linguagem

Segundo o Doutor Angélico, os homens superam as outras criaturas devido a sua capacidade racional. No ensaio “Deus – finalidade teleológica do homem, segundo Tomás de Aquino” este conceito é assim explicado:

Esta, [capacidade racional], faz com que os homens tenham o domínio sobre os seus atos, assumindo assim um papel ativo. Some se a isso, o fato do homem caminhar para um fim, a partir de sua própria ação, quando conhece e ama a Deus.

Por motivos especiais, o Aquinense julga que as criaturas racionais estão sujeitas à providência Divina de uma forma diferente dos outros animais. Um desses motivos seria a perfeição da natureza, pois a partir desta os homens passam a ter domínio sobre todos os seus atos, podendo assim, ser considerados livres, ou seja, eles podem agir por si mesmos nas suas operações. Além disso, coloca o homem numa posição mais privilegiada: ‘a dignidade do fim’. (COSTA; ANDRADE, 2007, p.2)

Tomás de Aquino coloca o homem numa posição mais privilegiada por causa da “dignidade do fim”. [1] (AQUINO, 2006)

Continuam Costa e Andrade:

As outras criaturas são mais passivas nas suas ações e só podem atingir uma finalidade por certa semelhança de sua participação. Dito de outra forma, os animais possuem uma natureza instrumental [atuado por outro], ou seja, eles são naturalmente sujeitos à servidão. Já o homem, possui uma natureza de agente principal. [Atuado por si mesmo] (COSTA; ANDRADE, 2007, pp. 2-3)

Sobre este conceito o Magistério da Igreja Católica ensina:

De todas as criaturas visíveis, só o homem é capaz de conhecer e amar o seu Criador, é a única criatura sobre a terra que Deus quis por si mesma; só ele é chamado a partilhar, pelo conhecimento e pelo amor, a vida de Deus. Com este fim foi criado, e tal é a razão fundamental da sua dignidade. (CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, 2001, p. 103)[2]

A capacidade lingüística do ser humano faz com que ele se diferencie radicalmente do resto dos animais. Por isto, de acordo com esta escola de pensamento, que difere das outras enunciadas neste trabalho, considera que a linguagem não pode ser meramente explicada em termos de operações mecânicas de um corpo material, mas como o resultado de uma mente reacional.

Ao que se conclui, que a incapacidade que os animais têm de utilizarem de uma linguagem – como o vocábulo é empregado neste trabalho – é uma evidência de que não possuem inteligência. Somente os homens, entre os seres vivos, têm o habito de comunicar um pensamento de um para outro, e só ele, entre os seres espirituais, é capaz de expressar-los através de sons sensíveis. A linguagem não torna presente o objeto, mas sim a sua idéia, por meio de um signo que o substitui.

Na “S.C.G.” as naturezas intelectuais têm mais afinidades com o conjunto do que as outras naturezas, pois cada criatura intelectual identifica-se de certo modo com todas as coisas. Segundo Tomás de Aquino, todas as demais substâncias estão sujeitas à providência divina por causa das substâncias intelectuais.[3] (AQUINO, 2006)

Ao que Nunes Costa e Vilar Andrade fazem a seguinte avaliação sobre este postulado tomista:

A substância intelectual, a qual Aquino se refere, usa de todas as coisas por causa dela mesma e isso é uma tarefa constante, não por apenas por conveniência. O Criador do universo ordena todas as coisas para sua operação, esta operação é a ultima perfeição da coisa, ou seja, tanto o homem como os animais recebem de Deus a direção das suas ações, mas no caso do animal, essas direções são apenas por causa da espécie, no caso do homem, elas são em função da espécie do individuo. (COSTA; ANDRADE, 2007, p. 3)

Desta maneira, na linguagem a ligação que existe entre um som sensível com um sentido definido (significado) é possível porque no homem, composto de corpo e alma, não existe uma separação entre a percepção e os pensamentos espirituais, já que as idéias derivam da percepção por abstração e sempre mantêm certa relação com o esquema sensível.

Entre os homens, a compreensão recíproca entre o sujeito que fala e o receptor da mensagem, está no fato de terem uma natureza composta de corpo e alma, e que faz com que sejam capazes, numa dimensão sensível-espiritual, de identificarem intencionalmente o objeto com a idéia. (AGUILAR, 2005)

A função da linguagem é de manifestar exteriormente um pensamento, porém é necessário fazer uma precisão importante a este conceito pois ele pode ser insuficiente.

Para Tomás de Aquino o pensamento é entendido no senso conceptual, ou racional. De maneira que mesmo que alguns animais possam ter acesso a uma expressão simbólica abstrata, não são capazes, pelo menos ainda não se pode estabelecer, que sejam capazes de exprimir uma idéia ou conceito.

Por isto segundo a corrente espiritualista, apesar de que os animais possam utilizar um sistema sofisticado de comunicação para manifestar as suas necessidades (fome, sede) e emoções (desejos, medos, tristezas ou alegrias), porém ao contrário do homem, são incapazes de estabelecer um vinculo entre a exteriorização dos desejos com a transmissão de um pensamento racional.

Na visualização tomista, a linguagem é entendida como sendo um sistema de signos sensíveis pelos quais o homem transmite mensagens de caráter espiritual. Seus elementos, termos de relação e propriedades demonstram que brotam de um ser inteligente e racional, composto de corpo e alma.

4.2.2 O transcendental da linguagem

Na Antiguidade a ênfase está no ser e na natureza, no racionalismo cartesiano a linguagem é um elemento de verificação e já no existencialismo sartreano ela gira em função de uma necessidade individual sem desdobramentos e sem relação com nada de absoluto. Em Tomás de Aquino a linguagem ela está sob um prisma transcendental.

No cosmocentrismo dos antigos gregos, a “physis” é vista como uma realidade eterna e in-criada, na qual não há “alguém” transcendente que tenha criado o mundo. Já para o medieval este “alguém” existe, e é Deus e a realidade é divina e transcendente.

Ao contrário dos antigos gregos, para os medievais existe ‘alguém’ que criou o mundo ou a natureza. Esse ‘alguém’ é Deus. Dessa maneira, se para o pensamento cristão há “algo” além da natureza, então se trata de um pensamento do tempo – da história! – dirigido consoante os desígnios de um puro ser, isto é, Deus. (MEDEIROS, 2006, p.2)

E característica da cultura medieval está presente em Tomás de Aquino enquanto um paradigma.

Em “Santo Tomás de Aquino – Sobre a Diferença entre a Palavra Divina e a Humana” é analisado de como o falar é a operação própria da inteligência na qual entre a realidade descrita pela linguagem e o som da palavra existe um terceiro elemento:

Ora, entre a realidade designada pela linguagem e o som da palavra proferida, há um terceiro elemento, essencial na linguagem, que é o conceptus, o conceito, a palavra interior [verbum interius, verbum mentis, verbum cordis], que se forma no espírito de quem fala e que se exterioriza pela linguagem, que constitui seu signo audível [o conceito, por sua vez, tem sua origem na realidade]. (LAUAND, 1993, p. 6)

4.2.3 “Sumbolh”

O transcendental tomista pode ser relacionado com o “sumbolh” (símbolo) que na Grécia Antiga significava a metade de um objeto quebrado, por exemplo, uma moringa, em que as duas partes eram divididas entre dois contratantes. Para liquidar e terminar uma dívida era preciso dar provas da qualidade do contratante, sendo ele mesmo ou outro de direito, e para isto era necessário que se apresentasse uma das partes para que ao unir à outra, a moringa voltasse a ficar inteira. Para Fafián, a filosofia nasceu na Grécia Antiga ao procurarem fazer uma distinção entre a ciência com o mito e os símbolos, todavia para Platão isto acabou sendo uma constante procura de tentar colar e ligar as duas partes que estão separadas. (FAFIÁN, 2002)

O “sumbolh” em Tomás de Aquino consiste em que a criatura se reporte a Deus, não que o Criador precise de outro pedaço para se complementar, pois Ele é a unidade em essência, todavia para a Sua glória externa pede o que dEle volte para Ele, como encontramos em Isaías (55, 10-11):

Isto diz o Senhor: ‘Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e alimentação, assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi ao enviá-la’. (BIBLIA SAGRADA, 2000, p. 1015)

Contudo, para a criatura a “moringa” só fica inteira quando os dois pedaços estão ligados. É nessa relação entre Criador e criatura que a linguagem se manifesta, não só como um mero falar, mas atitudes e gestos que expressam o que vai ao seu coração e interior. O Magistério da Igreja interpreta esta formulação:

Os sinais e os símbolos ocupam um lugar importante na vida humana. Sendo o homem um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual, exprime e percebe as realidades espirituais através de sinais e símbolos materiais. Como ser social, o homem tem necessidade de sinais e símbolos para comunicar com o seu semelhante através da linguagem, dos gestos e das ações. O mesmo acontece nas suas relações com Deus. (CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, 2001, p. 323)[4]

Na “S.T.”, o filósofo medieval realça que para poder entender o que é Deus, é necessário utilizar-se de analogias para facilitar a compreensão dos nossos sentidos, e é principalmente pela linguagem analógica com os signos e símbolos, de que o “falar” com Deus se estabelece. Conceito com o qual João Paulo II assim se identifica:

De fato, a fé pressupõe claramente que a linguagem humana seja capaz de exprimir de modo universal — embora em termos analógicos, mas nem por isso menos significativos — a realidade divina e transcendente. Se assim não fosse, a palavra de Deus, que é sempre palavra divina em linguagem humana, não seria capaz de exprimir nada sobre Deus. (JOÃO PAULO II, 1998, art. 84)

De acordo com a concepção de Tomás de Aquino, como já descrevemos a linguagem humana é um sistema de signos sensíveis pelos quais nós transmitimos mensagens de caráter espiritual. Seus elementos, termos de relação e propriedades demonstram que brotam de um ser inteligente e racional, composto de corpo e alma.

Certamente ela tem uma função descritiva dos objetos, idéias e acontecimentos, mas não é simplesmente caracterizada por ser a manifestação e a expressão do pensamento, pois os surdos e mudos de nascença podem perfeitamente pensar o mesmo que as outras crianças, sem saber as mesmas palavras comuns e sem uma mesma linguagem articulada. Assim para Tomás de Aquino a linguagem é também uma palavra interior, enquanto um dialogo da alma com ela mesma.

Entretanto a linguagem humana é contingente, subordinada e relacionada aos atributos de um ser absoluto, e aqui temos a presença do transcendental que é o alicerce da escolástica tomista. (MEDEIROS, 2006)

4.2.4 O falar de Deus na Criação

Na concepção de Tomás de Aquino tudo tem a sua origem no Criador, seja a criatura ou a criação em geral é um produto do “falar” de Deus. Sobre este enunciado comenta Lauand:

Assim, para Tomás, a criação é também um ‘falar’ de Deus, do Verbum [razão materializada em palavra]: as criaturas são, porque são pensadas e ‘proferidas’ por Deus: e por isso são cognoscíveis pela inteligência humana.

[...] Assim como a palavra audível manifesta a palavra interior, assim também a criatura manifesta a concepção divina [...], as criaturas são como palavras que manifestam o Verbo de Deus. (LAUAND, 2006, p. 23)

Macieras Fafián é participe desta idéia ao ponderar:

O primeiro autor da linguagem é Deus, que instruiu Adão na denominação das criaturas, mas é o homem quem configura a sua linguagem na medida em que se ia dando oportunidade à experiência e o uso das criaturas. (FAFIÁN, 2000, p.50, tradução nossa)

A manifestação da linguagem deve ser analisada a partir dos seus primórdios (ECO, 1993) tal como está descrita no Gênesis (1, 1-8):

No princípio, Deus criou os céus e a terra. A terra estava informe e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas.

Deus disse: ‘Faça-se a luz!’ e a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas, Deus chamou à luz DIA, e às trevas NOITE. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o primeiro dia.

[...] Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam debaixo do firmamento daquelas que estavam por cima. E assim se fez. Deus chamou ao firmamento CÉUS. (BIBLIA SAGRADA, 2000, p. 49)

Para Eco a criação foi um “falar” de Deus, pois “faça-se a luz! e a luz foi feita” (Gênesis 1,3), com isto postula:

A criação se produziu por um ato da palavra, e pelo fato de dar nome as coisas na medida em que vão sendo criada, isto confere a Deus um estatuto ontológico: “E Deus chamou a luz ‘dia’ e as trevas ‘noite’… [e] chamou o firmamento ‘céu’”. (ECO, 1993, p.11, tradução nossa) [5]

Notamos aqui a relação existente entre a criação do universo, enquanto uma realização da vontade divina manifestada através da palavra. As Escrituras no Hino à Providência de Deus confirma esta interpretação quando diz que “A palavra do Senhor criou os céus” e que quando falou “toda a terra foi criada”:

A palavra do Senhor criou os céus,

e o sopro de seus lábios, as estrelas.

Como num odre junta as águas do oceano, e

Mantém no seu limite as grandes águas.

Adore ao Senhor a terra inteira,

e o respeitem os que habitam o universo!

Ele falou e toda a terra foi criada,

Ele ordenou e as coisas existiram. (LITURGIA DAS HORAS, 2000, p. 1016)[6]

Ao desenvolver a sua teoria Umberto Eco se apóia no Gênesis (2, 15-17):

O Senhor Deus tomou o homem e colocou-o no jardim do Édem para cultivá-lo e guardá-lo. Deu-lhe este preceito: ‘Podes comer do fruto de todas as arvores do jardim; mas não comas do fruto da arvore da ciência do bem e do mal; porque no dia em que dele comeres, morrerás indubitavelmente. (BIBLIA SAGRADA, 2000, p. 50)

Ao que o pensador italiano comenta:

No 2, 16-17 [Gênesis] pela primeira vez o Senhor fala com o homem, colocando à sua disposição todos os frutos do paraíso terrestre, e advertindo-o que não coma do fruto da árvore do bem e do mal. Há um dúvida em saber em que língua Deus falou com Adão, e uma grande parte da tradição pensará numa espécie de língua de iluminação interior, em que Deus, como acontece em outras partes da Bíblia, se expressa mediante de fenômenos atmosféricos: trovões e relâmpagos. Entretanto se pode interpretar, e aqui surge a primeira possibilidade de uma língua, mesmo sendo intraduzível em termos dos idiomas conhecidos, é compreendida, não obstante, por quem a escuta, por um dom ou estado de graça especial. (ECO, 1993, p. 11. tradução nossa) [7]

Desta maneira, para Tomás de Aquino não é só Deus que fala, mas as próprias criaturas são Suas palavras. No artigo “Diferença entre a Palabra Divina e a Humana” Lauand pondera:

Dentre as muitas e variadas formas de interpretação ‘Deus fala’, há uma especialmente importante nas relações entre Deus e o homem: não é por acaso que João emprega o vocábulo grego Logos [Verbum, razão, palavra] para designar a segunda Pessoa da Ssma. Trindade que ‘se fez carne’ em Jesus Cristo: o Verbum não só é imagem do Pai, mas também princípio da Criação [cfr. Jo 1,3]. E a Criação deve ser entendida precisamente como projeto, design feito por Deus através do Verbo.

[...] Essa concepção de Criação como fala de Deus, a Criação como ato inteligente de Deus, foi muito bem expressa numa aguda sentença de Sartre, que intenta negá-la: ‘Não há natureza humana, porque não há Deus para concebê-la’. De um modo positivo, poder-se-ia enunciar o mesmo desta forma: só se pode falar em essência, em natureza, em ‘verdade das coisas’, na medida em que há um projeto divino incorporado a elas, ou melhor, constituindo-as.

A ‘natureza’, especialmente no caso da natureza humana, não é entendida pela Teologia como algo rígido, como uma camisa de força metafísica, mas como um projeto vivo, um impulso ontológico inicial, um ‘lançamento no ser’, cujas diretrizes fundamentais são dadas precisamente pelo ato criador, que, no entanto, requer a complementação pelo agir livre e responsável do homem.

Nesse sentido, Tomás fala da moral como ultimum potentiae, como um processo de auto-realização do homem; corresponde-lhe continuar, levar a cabo aquilo que principiou com o ato criador de Deus. Assim, todo o agir humano [o trabalho, a educação, o amor, etc.] constitui uma colaboração do homem com o agir divino, precisamente porque Deus quis contar com essa cooperação. (LAUAND, 1993, p. 7)

De acordo com Tomás de Aquino, Deus se revela pela linguagem universal da criação, obra da sua Palavra. Mas, como vimos na citação acima, Deus no seu ato criador pede a cooperação e a participação do homem, e por isto o Seu falar tem que se manifestar através de uma linguagem humana para ser acessível e compreensível aos homens:

Na condescendência de sua bondade, Deus, para revelar-se aos homens, fala-lhes em palavras humanas. Com efeito as palavras de Deus, expressas por línguas humanas, tal como outrora o Verbo do Pai Eterno, havendo assumido a carne da fraqueza humana, se fez semelhante aos homens. (CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, 2001, p. 39)[8]

4.2.5 A Palavra e o Verbo

Nas Sagradas Escrituras, ferramenta fundamental no pensamento de Tomás de Aquino, a palavra de Deus é o Verbo, pois:

Por meio de todas as palavras da Sagrada Escritura, Deus pronuncia uma só Palavra, seu Verbo único, no qual se expressa por inteiro.

Lembrai-vos de que o discurso de Deus que se desenvolve em todas as Escrituras é um só e um só é o Verbo que Se faz ouvir na boca de todos os escritores sagrados, o qual, sendo no princípio Deus junto de Deus, não tem necessidade de sílabas, pois não está sujeito ao tempo. (CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, 2001, p. 39)[9]

Para Tomás de Aquino “verbum” em latim, significa não só a palavra enquanto um som sensível com um sentido definido (significado), mas é também a segunda Pessoa da Ssma. Trindade, que é o Filho. Sobre esta diversidade de significados Lauand pondera:

Uma tal acumulação semântica não se dá em português e, assim, das 58 ocorrências de verbum no opúsculo de Tomás, somente numas poucas [cerca de meia dúzia] ele se refere estritamente à palavra sonora. Quando não se trata do Verbo divino, a maior parte das incidências de verbum diz respeito ao conceito e, principalmente, àquilo que há de comum entre a palavra sonora e o conceito [e o Verbo Divino também, por vezes].

Ora, dado o relevo que a linguagem ocupa no pensamento e na metodologia de Tomás, o leitor contemporâneo perderia muito de sua argumentação, se não estivesse prevenido para este fato e sua importância. Assim, sempre que depararmos com ‘palavra’, ‘conceito’ e ‘Verbo’ devemos nos lembrar que, para Tomás, estas idéias estão natural e espontaneamente identificadas em verbum. (LAUAND, 1993, p.4)

Fundamentando-se em Tomás de Aquino, Lauand pondera que a palavra é aquilo que está presente interiormente na nossa alma e que exteriormente é significado pela voz, que é caracterizado como sendo o “verbum”. (LAUAND, 1993)

O pensador tomista brasileiro salienta que existe uma diferença entre a nossa palavra “verbum” e a Palavra divina “Verbum”, é que a nossa é imperfeita, contingente e limitada, que desaparece e desvanece, enquanto que a Divina é perfeitíssima e fonte de vida eterna. (LAUAND, 1993)

Este conceito é explicado na Liturgia das Horas:

João era a voz, mas o Senhor, no princípio, era a Palavra [Jo 1,1]. João era a voz passageira, Cristo, a Palavra eterna desde o princípio.

Suprimi a palavra, o que se torna a voz? Esvaziada de sentido, é apenas um ruído. A voz sem palavras ressoa ao ouvido, mas não alimenta o coração.

Entretanto, mesmo quando se trata de alimentar nossos corações, vejamos a ordem das coisas. Se penso no que vou dizer a palavra já está em meu coração. Se quero, porém, falar contigo, procuro o modo de fazer chegar ao teu coração o que já está no meu, recorro à voz e por ela falo contigo. O som da voz te faz entender a palavra; e quando te faz entendê-la, este som desaparece, mas a palavra que ele te transmitiu permanece em teu coração, sem haver deixado o meu.

[...] Guardemos a palavra; não percamos a palavra concebida em nosso íntimo. (LITURGIA DAS HORAS, 2000, p. 223) [10]

Na concepção de Tomás de Aquino, O Verbo e a Palavra formam “um” em Nosso Senhor Jesus Cristo, dando a Palavra o aspecto cristolólico:

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o verbo era Deus. Ele estava no principio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. [Jo 1, 1-3] João, muito conscientemente voltou às palavras que estão no começo da Bíblia e leu de novo o relato sobre a Criação a partir de Cristo para contar, outra vez e definitivamente, por meio de imagens que é a Palavra com que Deus quer mover os nossos corações. (RATZINGER, 1992, p. 25 tradução nossa) [11]

Para o homem o escutar e entender o falar de Deus é por onde ele se auto-realiza, como diz o Salmo:

Vossa palavra é uma luz para os meus passos, é uma lâmpada luzente em meu caminho.

Eu fiz um juramento e vou cumpri-lo: Hei de guardar os vossos justos julgamentos!

Ó Senhor, estou cansado de sofre; vossa palavra me devolva a minha vida!

Que vos agrade a oferenda dos meus lábios; ensinai-me, ó Senhor, vossa vontade!

Constantemente está em perigo a minha vida, mas não esqueço, ó Senhor, a vossa lei.

Os pecadores contra mim armaram laços; eu porém não reneguei vossos preceitos

Vossa palavra é minha herança para sempre, porque ela é que me alegra o coração!

Acostumei meu coração a obedecer-vos, a obedecer-vos para sempre, até o fim! (LITURGIA DAS HORAS, 2000, p. 1078) [12]

Assim na concepção de Tomás de Aquino, o homem é um ser naturalmente social e de linguagem: não lhe basta querer expressar o que sente e quer, pois sendo racional deseja também comunicar as suas impressões e seus pensamentos aos seus semelhantes e com Deus.

Por isto, a linguagem humana, como interpretada pela corrente espiritualista, é um sistema de signos sensíveis pelos quais o homem transmite mensagens de caráter racional como também espiritual, como uma palavra interior num dialogo da alma com ela mesma.



Através do “verbum” (razão materializada em palavra), Deus se torna cognoscível à inteligência humana, e esta só alcança o seu objetivo pleno quando se orienta para o seu fim transcendental ao se reportar a outra metade do “sumbolh”, que é Deus.

Pe. António Coluço, EP
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[1] Praecellunt enim alias creaturas et in perfectione naturae, et in dignitate finis. “S.C.G.” III, cap. CXI, 1. (grifo nosso)

[2] Art. 356.

[3] Ex his quidem quae supra determinata sunt, manifestum est quod divina providentia ad omnia se extendit. Oportet tamen aliquam rationem providentiae specialem observari circa intellectuales et rationales naturas, prae aliis creaturis. “S.C.G.” III, cap. CXI, 1.

[4] Art. 1146

[5] La creación se produce por un acto de habla, y sólo al nombrar las cosas a medida que las va creando les confiere Dios un estatuto ontológico: “Y Dios llamó a la luz “dia” y a las tinieblas “noche”… (y) llamó al firmamento “cielo”.

[6] Laudes, Quaresma.

[7] En 2, 16-17 el Señor habla por vez primera al hombre, poniendo a su dispo-sición todos los frutos del paraíso terrenal, y advirtiéndole que no coma el fruto del árbol del bien y del mal. Resulta dudoso saber en qué lengua habló Dios a Adán, y una gran parte de la tradición pensará en una especie de lengua de iluminación in-terior, en la que Dios, como por otra parte ocurre en otras páginas de la Biblia, se expresa mediante fenómenos atmosféricos: truenos y relámpagos. Pero si se inter-preta así, se apunta entonces la primera posibilidad de una lengua que, aun siendo intraducibie en términos de idiomas conocidos, es comprendida, no obstante, por quien la escucha, por un don o estado de gracia especial.

[8] Art. 101

[9] Art. 102

[10] Advento. Sto Agostinho. Sermo 293, 3: PL 38, 1328-1329

[11] “En el principio la Palabra existía y la Palabra estaba con Dios y la Palabra era Dios. Ella estaba en el principio con Dios. Todo se hizo por ella y sin ella no se hizo nada de cuanto existe.” (/Jn/01/01-03). Juan, muy conscientemente, ha vuelto a tomar aquí las palabras con las que comienza la Biblia y ha leído de nuevo el relato de la Creación a partir de Cristo para contar, otra vez y definitivamente, por medio de las imágenes qué es la Palabra con la que Dios quiere mover nuestro corazón.

[12] Quaresma. Salmo 118 (119), 105-112 XIV (Nun)

sábado, 28 de agosto de 2010

Vocações, Orações, Missões


Estamos chegando ao final deste abençoado mês de agosto, chamado de mês vocacional, quando a mãe Igreja nos convida a refletir acerca das vocações. É grave dever de todos os católicos o incentivo e o fomento das vocações sacerdotais. Este dever pertence a toda a comunidade dos fiéis, para que a própria comunidade ofereça seus membros para a vida ministerial.

Quantas vezes não ouvimos a citação bíblica: “a messe é grande, mas são poucos os operários”, e pela qual reconhecemos que precisamos de mais pastores. Mas, como somos indiferentes com a prática vocacional! Sabemos que as necessidades de operários são muitas, mas sem dúvida que a necessidade de presbíteros para a Igreja está sempre sendo cobrada pelas comunidades que desejam ter o seu pároco.

Não podemos esquecer o apoio às famílias, que devem estar imbuídas em total espírito de oração, onde lá se encontra o primeiro seminário das vocações.

Os presbíteros, entretanto, em primeiro lugar são responsáveis pelo fomento vocacional, pelo incremento das vocações, seja pelo seu testemunho pessoal, seja pelo seu zelo pastoral em suas comunidades. Isso certamente atrairá os jovens para que também abracem esse mesmo testemunho e este mesmo amor pelos irmãos.

Nesta semana, consultado o Conselho de Presbíteros de nossa Arquidiocese, estamos encaminhando à Cúria Metropolitana a autorização para elaborar decretos para a criação de cinco novas paróquias. É um claro sinal de crescimento do trabalho da Igreja e das necessidades que o crescimento populacional nos impõe. Muito mais presenças, tanto de paróquias como de pequenas comunidades, grupos, núcleos de evangelização, círculos bíblicos ou outros tipos de organizações são necessárias para que a capilaridade da evangelização aconteça em nossa arquidiocese.

Junto com as preocupações de um bom início para as novas comunidades paroquiais surgiu também o incremento do trabalho de partilha entre as paróquias para a ajuda mútua nas necessidades que vão surgindo. Aqui iremos ver até que ponto o interesse pela evangelização e catequese está acima dos demais interesses em nossas comunidades e suas lideranças. O projeto “que todos sejam um” de partilha entre as paróquias já existia como um embrião, agora foi fomentado com um grupo de padres, representando todos os vicariatos, responsabilizando-se de levá-lo adiante.

Com o tamanho atual das paróquias, que exigem que tenhamos mais que um padre atendendo à comunidade, também o criar novas circunscrição supõe a existência de sacerdotes para serem nomeados párocos. Daí vem o nosso apelo neste final de mês vocacional, rezando em especial pelas vocações sacerdotais, supondo, é claro, a caminhada de santidade na vida de nossos jovens. Para isso supõe valorização dos mesmos, unidade entre o presbitério, preocupação com o que é essencial nessa caminhada e, principalmente, busca comum da santidade concreta. As riquezas da diversidade devem contribuir para a unidade ainda maior e a valorização das diferenças enquanto caminhamos juntos.

A vocação, certamente, sempre depende da livre ação de Deus, mas também é incentivada pelo testemunho dos sacerdotes, generosos, alegres, sinceros, verdadeiros. Urge, portanto, o testemunho daqueles que já deram o seu “sim” ao Senhor, como, aliás, em todas as vocações.

Poderíamos destacar três aspectos mais significantes desse testemunho vocacional: o primeiro, a amizade profunda com Cristo, ou seja, permanecer no seu amor e aprender a estar com Ele, em sua comunhão, e mantendo com Ele diálogo constante pela oração (“vinde e vede”, “permanecei comigo”). O segundo será o dom total de si mesmo a Deus, de onde vem a capacidade da entrega total e incondicional, completa, contínua e fiel (“quem quiser me seguir”, “quem põe a mão no arado...”, “alguns não se casam por causa do reino dos céus”). Terceiro: viver em comunhão com os irmãos e irmãs de caminhada (“que todos sejam um”, “vede como se amam”).

No testemunho sacerdotal, as pessoas devem perceber a superação das divisões, das rupturas, das incompreensões deste mundo. Nele as pessoas devem conhecer o que é o perdão.

Portanto, não sejamos indiferentes. Pelo poder da oração peçamos ao Senhor, mas também sejamos generosos quanto ao apoio efetivo e real às vocações. Vivemos num mundo materialista, em que parece que o espiritual está anulado. Precisamos de pessoas que nos digam o contrário; pessoas que caminhem firmes em sua fé e que espalhem para outros o olhar de misericórdia de Deus. Estes serão os bons sacerdotes de que tanto precisamos.

A chave de toda vocação é perceber que Deus tem um plano para cada um de nós. E se eu for chamado a segui-Lo, devo responder com generosidade e amor a este chamado. É sentir-se atraído por Deus!

Recordemos o apelo feito pelo Papa Bento XVI aos jovens americanos, em sua visita aos EUA: “lança para tua vida um estilo caracterizado pela caridade, pela castidade e pela humildade, imitando a Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, do qual devem tornar-se pedras vivas”. Toda a Igreja é responsável, portanto, pelo fomento das vocações.

De forma concreta, temos a chamada obra pelas vocações sacerdotais – OVS, que, infelizmente, não vemos constituídas e organizadas em muitas de nossas paróquias e outros grupos vocacionais como o Serra, GVA. É uma grande responsabilidade, pois os Ministros Ordenados e os Leigos deveriam ter essa grande preocupação pelo fomento e apoio incondicional ao serviço vocacional.

Temos, porém, testemunhos que nos alegram, como a compreensão e ajuda tanto em alimentos como de outras maneiras de muitas paróquias que fazem coletas em prol dos Seminários Arquidiocesanos São José e Rainha dos Apóstolos. São exemplos que deveriam se espalhar em todo o ambiente do nosso Arcebispado.

Em um cântico vocacional antigo dirigido a São José se dizia: “mandai vocações, padres pedem as multidões, sacerdotes para o Brasil” – vemos como isso continua muito atual. Cada dia ouço pedidos desse tipo chegando e um povo sedento de verdadeiros, coerentes e santos pastores. Indo à casa da mãe, peçamos a José que também interceda por nós.

A nossa alegria é também pelos nossos atuais seminaristas, seja pelo entusiasmo juvenil e cheios de ideais que nos fazem agradecer ao Senhor ao ver vocações de todas as regiões e situações de nossa Arquidiocese e desejosos de abraçar a vida presbiteral renovando assim o nosso presbitério que os acolhe como confiança e generosidade. A cada época encontramos características próprias nas vocações e quando temos abertura para a ação do Espírito Santo saberemos valorizar a diversidade em cada situação histórica. Agradeço sinceramente a todos que trabalham nessa área, desde o despertar e acolher, passando pela formação em todos os níveis até o acolhimento generoso e ajuda material.

Lembremos, portanto de Maria, neste final de semana que, como dissemos, iremos ao seu Santuário Nacional, que nos convida a um sim sincero. Imitemos o seu exemplo, cultivando em nosso coração a capacidade de nos maravilharmos com o projeto salvífico de Deus em nossas vidas e de sermos dóceis aos Seus apelos. Ela, certamente, nos ajudará a prosseguirmos firmes no caminho do nosso discipulado.

Dom Orani João Tempesta

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

VIDA CONSAGRADA por Dom Orani João Tempesta

No primeiro domingo deste mês vocacional rezamos pelos nossos padres. Domingo passado agradecemos a vida e o dom da paternidade, colocando nossos pais, vivos e os que estão na glória de Deus, diante do altar. O terceiro domingo é dedicado a todos os consagrados: freiras, freis, irmãos e irmãs que dão a sua vida pelo Evangelho na contemplação ou na ação pastoral, segundo os conselhos evangélicos. A vida consagrada é um desdobramento da vida batismal, na esteira dos Conselhos Evangélicos da pobreza, da obediência e da castidade.

Toda a nossa existência de fiéis cristãos deveria ter como destaque a nossa vida batismal, pois nela somos incorporados a Cristo, nela somos libertos do pecado e assim regenerados pelo Espirito Santo. Nela nos tornamos participantes da vida trinitária. Portanto, a nossa consagração começa no batismo, pois este é fonte de responsabilidade e de deveres, tal como servir aos outros na comunhão da Igreja.

A vida consagrada em que se professa os três votos mencionados é uma resposta a esta consagração batismal dentro de um chamado a um carisma especial na Igreja. É uma resposta radical ao extraordinário amor de Deus sobre nossas vidas. É um ir além, numa vida comprometida com a implantaçaõ do Reino de Deus entre os homens e entre as mulheres.

O cristão sempre é chamado a jogar suas redes em águas mais profundas, ao se provocar pelo estímulo a uma nova vida, mais radicalizada e mais enrraizada em Deus. Corre-se o risco para Deus, e descobre-se que só Deus basta para nossa vida.

No processo da consagração ouve-se a voz de Deus que chama. A Igreja reconhece este chamado e o autentica ao autorizar a existência dos Institutos de Vida Consagrada, que tanto bem fizeram e fazem ao Povo de Deus e a toda população, através da entrega da própria vida pelo irmão, e, além dos vários serviços de missão, evangelização, catequese, também nos diversos organismos de caridade, educacionais, do cuidado com a saúde, no desvelo com a terceira idade e de promoçao humana existentes.

Deus chama homens e mulheres, através da vida consagrada, para um missão de amor em favor dos homens, e, principalmente, pelos preferidos: os pobres.

A riqueza da Igreja, já nos dizia o mártir São Lourenço, celebrado nesta semana, não está nos seus edifícios que são do Povo de Deus ou no propalado, cobiçado e imaginado poder financeiro, mas nos pobres, nos que sofrem, nos que a Igreja acolhe, educa, cuida e apresenta como o seu inexorável tesouro que jamais a traça comerá.

Os religiosos e congrados são um dom precioso da Igreja e do mundo, este tão carente, tão sedento de Deus e de sua palavra, mas também de testemunhos.

Porém, antes mesmo do serviço que os religiosos prestam às pessoas, a sua mais importante missão é o « ser », quer dizer, o testemunho de vida em comunidade, doada diariamente com alegria e generosidade. São os « sinais escatológicos » do Reino de Deus. Nestes últimos tempos, ao lado de antigas tradições de consagrados juntaram-se muitas outras novas experiências de grupos de pessoas que atualizam dentro das atuais realidades e, muitas vezes, como sinais de contradição: o chamado de Deus para essa consagração radical. Dentro dos vários estilos de carismas encontramos o equilíbrio entre a vida de ação e contemplação, de oração, de trabalho – presentes em cada pessoa, em cada instituto e na própria estrutura eclesial.

No mundo do descartável, do prazer sem limites, na opulência do dinheiro e do ter, da autossuficiência, sentimo-nos atraídos, através da vida consagrada, a uma outra proposta de seguimento mais sublime de Jesus Cristo através da dedicação a Deus pelos conselhos evangélicos e, desta forma, são um doce e eloquente sinal de Deus neste mundo.

Neste dia de oração pela Vocação à Vida Religiosa quero enviar um afetuoso abraço de encorajamento na sua vocação e na sua missão a todos os consagrados que trabalham no âmbito de nossa Arquidiocese, que fazem a diferença do rosto de Cristo e da Igreja no Rio de Janeiro. Agradecemos a Deus por nos proporcionar tantas vocações na vida consagrada, e pedimos-Lhe que estes continuem a ser um sinal de graça perene no mundo, na construção da justiça e do amor.

Por isso, agradecidos a Deus pela vocação consagrada, peçamos novas e autênticas vocações para este serviço e que a Trindade ilumine todos os que continuam dando passos para que o Reino de Justiça e de Paz se estabeleça entre nós pelo testemunho dos que deixam tudo para trás, por amor, para ser totalmente de Jesus e da Igreja. Que Deus guarde, abençoe e proteja os consagrados!

Dom Orani João Tempesta é Cardeal Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro - RJ.