quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O Divino Infante que nos visitou


“Eis que vos anuncio uma grande alegria que será partilhada por todo o povo, pois nasceu-vos hoje o Salvador”. Neste dia em que celebramos o natal do Senhor, fazemos memória do tempo em que fomos visitados por Deus. Uma visita distinta e, sem duvidas, especial. Jesus, o Deus-Filho, a segunda pessoa da Santíssima Trindade veio até nós assumindo toda a nossa humanidade. No antigo testamento, o profeta Isaías faz o prenúncio do Salvador com as seguintes palavras: “Nascerá uma haste do tronco de Jessé e, a partir da raiz, surgirá o rebento de uma flor; sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e discernimento, espírito de conselho e fortaleza, espírito de ciência e temor de Deus; no temor do Senhor encontra ele seu prazer”(Is 11,1-3a).
São Leão Magno, papa muito destacado por conta de seus belíssimos sermões nos lembra de nossa distinção de cristãos. Devemos tomar consciência de nossa dignidade, pois hoje nasceu a vida. Vida que dissipa o temor da morte, que nos enche de alegria com a viva esperança da eternidade. É Jesus que vem até nós para libertar a todos. Exulte o justo, porque se aproxima da vitória; rejubile o pecador, porque lhe é oferecido o perdão; reanime-se o pagão, porque é chamado à vida.
Tudo o que é narrado pela sagrada escritura sobre o nascimento de Jesus Cristo vem como confirmação de sua missão. Ele se fez pobre com os pobres. Viveu a nossa vida e em tudo foi experimentado, exceto no pecado. Porém, fixemos nosso olhar para aquele dia em que o amor de Deus se derramou sobre nós. Numa noite fria, depois da longa jornada para o recenseamento, José estava aflito, pois sua esposa, Maria, sente as contrações do parto. Na cidade de Belém, as portas se fecham, pois não há lugar para eles. A ultima opção se torna realidade. No estábulo, junto aos animais, nasce o Salvador. Santo Afonso Maria de Ligório diz não saber explicar como as palhas da manjedoura e todo o presépio não se incendiaram com o tamanho amor inflamado por Deus naquele instante divino e sublime.
Deus realiza o que por nossas puras forças era impossível. Jesus se reveste de nossa carne e nasce Divino Infante: Deus se faz homem! Alegre verdade de nossa existência! É um mistério de fé que cremos e professamos. É este grande mistério que os coros cantam na noite de Natal: Ó grande mistério, e admirável sacramento, os animais verem o Senhor nascido, deitado no presépio. Bem-Aventurada a Virgem cujas entranhas mereceram trazer o Senhor Jesus Cristo. Aleluia. O advento, esse tempo de quatro semanas que antecederam o santo natal de Jesus Cristo, criou em nós esse sentimento de expectativa. Esperamos com felicidade aquele que a de vir. O canto de Glória e o Aleluia vêm com grande força a nossa garganta que proclama com vigor o nascimento do Filho de Deus. Exclamamos com a feliz surpresa dos pastores, com a reverência dos magos e a adoração da corte celeste. Ele já havia sido anunciado como Emanuel, “Deus conosco” (Is 7,14), “Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz” (Is 9,5).
É nosso dever receber hoje esse menino que nasce no natal. Tarefa esta destinada a toda a humanidade fiel à Cristo e a sua proposta do Reino de paz e amor. A nós é incumbida a tarefa de zelar para que o Divino Infante, o Menino Jesus, nasça na dignidade da pureza de nosso coração. E ao vê-lo reclinado na manjedoura de nosso coração, entre as palhas de nossa limitação humana ajoelhemo-nos para adorar a encarnação de Jesus, o Cristo. Dexemo-nos penetrar por essa atmosfera de graças e bênçãos oriundas do Divino Infante. Não nos esqueçamos, porém, do exemplo da Virgem Maria. Segundo São Bernardo “convinha a um Deus nascer de uma Virgem, e uma Virgem só podia conceber um Deus”.
Por amor Ele quer nascer em nosso coração. Por amor tão somente. É assim o nosso Deus. Tudo tão simples e tão completo. Juntemos hoje, a nossa voz a voz dos anjos todos para cantarmos jubilosos: Glória a Deus nas alturas; e anunciam: Paz na terra aos homens de boa vontade (Lc 2,14). A Você e a sua família eu desejo um Feliz e Santo Natal! Veníte adorémus Dóminum – Oh! vinde adoremos o Salvador.

Welinton Silva é seminarista redentorista, licenciado em filosofia pela Universidade Católica de Goiás, Goiânia.
welintonredentorista@hotmail.com

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

A encarnação do Filho de Deus


Já se aproxima a celebração do natal. Isso ao menos se evidencia no movimento econômico de nossas cidades, apesar de toda a crise financeira pela qual o mundo está passando. Nessas últimas semanas, os shoppings e o comércio em geral estão bastante movimentados por ocasião das festas de fim de ano. Afinal isso acontece todos os anos. E todo o ano acontece a mesma coisa. Mas será se nós temos conhecimento daquilo que celebramos todos os anos com tanta avidez?!
Santo Afonso Maria de Ligório, no seu livro Encarnação, Nascimento e infância de Jesus nos diz que “muitos cristãos costumam preparar com bastante antecedência em suas casas um presépio para representar o nascimento de Jesus Cristo. Mas há poucos que pensam em preparar seus corações, a fim que o Menino Jesus possa neles nascer e repousar.”. E é sobre o mistério da encarnação de Jesus Cristo que hoje quero refletir com o amigo leitor.
Sem dúvida alguma, o mistério da encarnação de Jesus é algo muito importante para todos os cristãos e revela a maior prova de amor de Deus a humanidade. Por amor a nós homens, o nosso Criador quis se fazer homem como nós, abstendo-se somente do pecado. Assim São Paulo escreveu aos filipenses: “Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2,6-8).
Não podemos apreender toda a imensidão do mistério da encarnação de Jesus Cristo, porque somos incapazes de compreender a profundidade do Seu amor por nós. Para nos dar testemunho desse amor pleno, Jesus, o filho de Deus-Pai, foi até o extremo. Fez-se homem, colocando toda a sua divindade na nossa humanidade, aceitando viver dentro dos limites da criatura. Assumiu a nossa fraqueza, aceitou os nossos limites, chorou as nossas lagrimas, sofreu as nossas dores e foi assassinado com uma das piores condenações de seu tempo. Ele tudo fez para apresentar-nos o seu louco amor por nós. Mesmo sendo Deus “passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado” (Hb 4,15b).
Após Jesus ter-se feito homem como nós, não podemos mais duvidar do imenso amor de Deus pela humanidade. Depois de tudo nos conceder com a criação e a vida, Ele nos fez a sua imagem e semelhança no amor. Ele nos deu a si mesmo, como prova extrema de seu amor sem ressalvas ou exigências.
O nome Jesus, quer dizer Deus-Conosco, Emanuel. É o Filho de Deus que desceu do céu e se encarnou no seio puro e virginal de Maria para libertar-nos da morte eterna do pecado. Encarnando-se, Jesus fez a nós uma ação incomparável: “porquanto os filhos participam da mesma natureza, da mesma carne e do sangue, também ele participou, a fim de destruir pela morte aquele que tinha o império da morte, isto é, o demônio” (Hb 2,14).
Pela encarnação de Jesus, somos filhos adotivos de Deus, irmãos de Cristo e herdeiros do céu. “Mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma Lei, a fim de remir os que estavam sob a Lei, para que recebêssemos a sua adoção” (Gl 4,4). Essa é a razão da ação de graças com que o cristão celebra o natal. Toda nossa forma de gratidão é levada àquela gruta de Belém, como a oferta daqueles magos que “ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra” (Mt 2,11c).
Voltemos ao ponto de onde iniciei nossa reflexão. Nas palavras de Santo Afonso de Ligório: “sejamos nós desse pequeno número (dos que preparam o seu coração para o nascimento de Jesus): procuremos dispor-nos dignamente para arder desse fogo divino, que torna as almas contentes neste mundo e felizes no céu”. Que Maria receba Jesus em nosso coração hoje, como O recebeu da primeira vez.

Welinton Silva é seminarista redentorista, licenciado em filosofia pela Universidade Católica de Goiás, Goiânia.
welintonredentorista@hotmail.com

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Maria, a Imaculada Conceição


Quando falamos da Imaculada Conceição de Maria, fazemos referência a um privilégio que ela recebeu de Deus: ser preservada do pecado original desde a sua concepção. A razão dessa graça dada por Deus a Maria de Nazaré, está na sua vocação por excelência: ser a Mãe de Jesus Cristo, o Filho de Deus. E é pelos méritos de Cristo, que Maria foi preservada imune de toda mancha de pecado original (Bv. Duns Scoto).
Na passagem de Lucas, capítulo 1, versículo 28, o evangelista confirma a predileção de Deus por Maria: “Entrando, o anjo disse-lhe:’Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo’”. Não há na Bíblia uma afirmação explicita que Maria tenha sido concebida sem o pecado original. Trata-se de uma doutrina que sempre esteve implícita na Fé da Igreja.
Já nos primeiros séculos das comunidades cristãs, temos escritos dos padres da igreja sobre a Imaculada Conceição de Maria. Santo Efrém chegou a afirmar que só Cristo e Maria são limpos e puros de toda e qualquer mancha. No início, quando se formavam as verdades de fé, não foi fácil explicar e tornar aceita essa verdade de fé. Contudo, a reflexão contundente dos padres da igreja e pensadores da época, possibilitou que pudéssemos chegar a essa conclusão.
O pensador franciscano Duns Scoto (+1308) buscou dar uma resposta norteadora para a teologia sobre a Imaculada Conceição de Maria: Maria foi preservada do pecado original em previsão dos méritos de Cristo. Ou seja, se não fosse por essa graça de Deus, ela também teria nascido com a mancha do pecado original. É interessante a conclusão de sua tese: Convinha que Deus fizesse a exceção; podia fazê-la; portanto, a fez!. Isto é, Deus queria, podia, então fez.
A devoção na Imaculada Conceição se fortaleceu a partir do século XV, com o Concílio de Trento. Já em 1476, se celebrava uma festa no calendário litúrgico em sua honra. No ano de 1854, o papa Pio IX (1846-1878) promulgou a definição dogmática da Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria (Bula Ineffabilis Deus de 08.12.1854): “Maria foi preservada imune de toda mancha do pecado original”.
Na definição dogmática, Pio IX diz: “Em honra da santa e indivisa Trindade, para decoro e ornamento da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da fé católica, e para incremento da religião cristã, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e com a Nossa, declaramos, pronunciamos e definimos: A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus, e por isso deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis.”.
Maria também não experimentou a concupiscência, isto é, a inclinação ao pecado, que nasce do pecado e ao pecado conduz. Ela é uma nova criatura. Isenta do pecado, têm condições de notar as escravidões às quais estão expostas todas as pessoas que escolhem esse caminho que não conduz a Deus.
O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira ressalta que “a graça santificante — concedida à Santíssima Virgem Imaculada numa abundância inaudita e insondável — foi correspondida perfeitamente por Ela a cada momento. Assim, se compreende o que seria a ordem interna, a pureza, a virtude e a santidade de Nossa Senhora”.
Maria é totalmente de Deus. É um modelo a quem devemos imitar. É fonte de santidade para toda a Igreja. Também nós, quando crescemos em graus de santidade, santificamos a Igreja. Maria nos deu Cristo, o salvador, e nós precisamos de Cristo para que se efetive nossa salvação. Tanto em Maria, quanto em nós a mesma graça de Deus atua. Só depende de nossa colaboração na instauração do Reino de Deus. Vivamos, a exemplo de Maria, nossa condição de criaturas humanas em sintonia com a vontade de Deus.

Welinton Silva é seminarista redentorista, licenciado em filosofia pela Universidade Católica de Goiás, Goiânia.
welintonredentorista@hotmail.com

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A prática da caridade cristã


Hoje, quero refletir com o leitor sobre a prática da caridade. A Caridade é uma das três virtudes teologais, que a Igreja Católica ensina como exercício agradável a Deus. Correspondem às três virtudes: a fé, a esperança e caridade. Paulo, apóstolo, em carta a comunidade de Corinto, coroa seu discurso no capitulo 13, versiculo 13, com a máxima cristã: "Portanto, agora existem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade. Porém a maior delas é a caridade". Caridade aqui se equivale ao amor. O verdadeiro e genuíno amor cristão.
Essa virtude divina foi implantada em nosso ser desde toda criação, pelo amor primeiro de Deus Pai criador. Foi também confirmada em nossa alma através do sacramento do santo Batismo, juntamente com a fé e a esperança. É a virtude pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Sabemos que as demais virtudes nos conduzem a Deus. A caridade, porém, nos une ao próprio Deus, e onde houver caridade, aí estarão também as demais virtudes. O saudoso papa João Paulo II, afirmou em uma de suas alocuções de audiência geral que, “a fé, a esperança e a caridade são como três estrelas, que se acendem no céu da nossa vida espiritual para nos guiarem rumo a Deus”.
Santo Agostinho já dizia, “Ama a Deus e faze o que quiseres”. É evidente que, se amarmos de verdade a Deus, nos será grato fazer somente o que for do seu agrado. E é ai que quero fazer algumas observações sobre a tragédia em Santa Catarina. Uma tragédia que com certeza deixou a todos os brasileiros um sentimento de compaixão e solidariedade. Os números nos assustam. Já são mais de 118 mortos pelo dilúvio, que desabrigou quase 80.000 e impactou 1,5 milhão de pessoas em Santa Catarina, região sul do Brasil.
A mobilização da sociedade em geral é notória. De todas as regiões partem caminhões com toneladas de alimentos em direção ao vale do Itajaí, e cidades adjacentes, num exercício da verdadeira caridade cristã: a solidariedade. O ser solidário é explicitado em muitas situações não apresentadas pela mídia em geral e infelizmente, explorado demasiadamente em situações como essas. A dor de tamanha situação só poderá ser descrita por aqueles, que a viveram em sua intensidade, como os catarinenses atingidos pela tempestade e suas conseqüências.
Diversas dioceses e arquidioceses pelo Brasil estão empenhadas em ajudar, em nome da Igreja, ao povo mais necessitado de ajuda no estado de Santa Catarina. Notáveis são as iniciativas em andamento, promovidas pela Arquidiocese de Florianópolis, pelas Dioceses de Joinville, de Blumenau e pelas Entidades-membro de Cáritas no Estado. Doações de alimentos e roupas estão sendo feitas diretamente nas secretarias das Paróquias destas Igrejas particulares, que também estão acolhendo os desabrigados em seus salões comunitários, centros catequéticos e casas religiosas, numa atitude de amenização e solidariedade para com o próximo, que perdeu tudo ou quase tudo. A Igreja se inspira na caridade ensinada por Jesus: Tudo o que vocês fizerem ao menor dos meus irmãos é a mim que vocês fazem.
A presença solidária da Igreja e a caridade do Santo Padre o Papa, é uma das primeiras a chegar a esses locais, onde a comunidade está desassistida do verdadeiro e necessário auxílio do poder público. É na comunidade-igreja que a solidariedade se revela por primeiro. É lá, onde todos vivem como irmãos, filhos do mesmo Pai. Aí a caridade realiza milagres. A Sagrada Escritura nos apresenta o sugestivo dito de Jesus em Mateus 14,13-21: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. O milagre da partilha cristã está ao alcance de todos que crêem no Cristo.
Usando as palavras do Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, "a caridade é a virtude teologal, pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos por amor de Deus. Jesus faz dela o mandamento novo, a plenitude da lei”. (CIC, n. 388). Que possamos ser todos nós sinais de esperança e vínculo de caridade a todos os homens, que receberam a fé de Jesus e nele crêem. É no Cristo que está a nossa força, Ele é a razão de nossa esperança!

Welinton Silva é seminarista redentorista, licenciado em filosofia pela Universidade Católica de Goiás, Goiânia.
welintonredentorista@hotmail.com

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Impressões sobre Mossâmedes


Na última terça-feira (25/11) tive a oportunidade de estar na cidade de Mossâmedes, aqui no interior de Goiás. Tratava-se de uma animação missionária que se iniciava com a chegada da imagem peregrina do Divino Pai Eterno. Um clima de alegria e festa pairava no ar da pacata cidade. Mossâmedes estava recebendo mais um filho seu para com aquele povo se alegrar.
O Diác. André Ricardo, missionário redentorista volta a sua cidade natal para ser ordenado sacerdote. Isso, pela oração da Igreja e imposição das mãos de Dom Eugênio Lambert Rixen, Bispo da Diocese de Goiás – GO. A cidade de Mossâmedes tem pouco mais de cinco mil habitantes. Sua origem remonta os tempos do extrativismo do ouro em cidades ouríferas do interior de Goiás.
Tenho comigo um costume que trago desde criança. Quando chego a uma cidade que ainda não conheço, procuro logo saber da localização da Igreja Matriz. Lá posso tirar algumas tímidas e simples conclusões. No caso de Mossâmedes, tive a surpresa de ver que a fé de seu povo segue uma linhagem de gerações a fio. As grossas paredes da Matriz de São José evocam uma áurea de fé e devoção. No frontispício do edifício religioso traz a possível datação de sua construção: 1774. Em seu interior, no presbitério, ainda se conserva o retábulo com o antigo altar que lembra o tempo em que as missas eram rezadas em latim.
Do cimo daquele retábulo, no orango da Igreja, se vê a imagem de São José de Botas que, do alto, vela pela comunidade mossamedina que lhe confiou o patrocínio de sua cidade.
Mais algumas coisas me chamaram a atenção e eu gostaria de partilhá-las com o leitor. Nota-se que o povo é engajado, se preparando em oração (naquilo que a filologia da palavra exige: orar e ação) para receber a visita do Pai Eterno e realizar com orgulho a ordenação sacerdotal do Diác. André Ricardo. Na Santa Missa presidida pelo redentorista, Pe. Jesus Flores, para a recepção dos missionários redentoristas e da Imagem levada de Trindade, estava presente além da comunidade mossamedina, o Pe. Marques (pároco de Mossâmedes) e o Pe. Francisco Cavazzuti. A esse último religioso quero dedicar as próximas linhas deste artigo.
Pe. Francisco Cavazzuti é um místico mártir dos tempos atuais. Afirmo isso após te-lo conhecido pessoalmente e ter lido o seu livro de poemas intitulado “Salmos da Obscuridão”. Há pouco tempo Ele voltou para a sua terra natal, a Itália, e sua presença entre nós durante esses dias se deve à ordenação sacerdotal do Diác. André Ricardo.
Pe. Chico é mais uma vitima da pistolagem que buscava silenciar a voz daqueles que defendem a luta justa do povo pela terra. No dia 27 de agosto de 1987 sofreu um atentado contra a vida que o deixou cego em um povoado daquela mesma paróquia de Mossâmedes. Ele perdeu a visão biológica para ver com os “olhos da alma”, com os olhos dos outros. Mas, ao final da celebração eucarística, a qual estive presente, notei uma movimentação ali perto de mim. Grupos de pessoas se revezavam diante do Pe. Francisco. Todos querem a sua benção e saudação fraterna. Ele transmite uma luz efusiva com sua presença que é impossível não notar.
É digno de oração um de seus poemas mais famosos. Reza assim: “Senhor, eu sou cego. Dai-me o Espírito da Luz. Dai-me a luz do Espírito. Senhor, quanto o Mundo está cheio de tristeza! Dai-nos a alegria da ressurreição. Dai-nos a alegria da vida nova. Senhor, o teu amor é Esperança. O teu amor é o Caminho, para buscar e encontrar o Amor, também no sofrimento. Senhor, ainda é tão longo assim o caminho para a gente andar? E depois, terá uma Luz, Senhor? Terá Luz, sim!”.
Minha gratidão ao povo de Mossâmedes pela acolhida. Minha reverência ao neo-sacerdote Pe. André Ricardo que me possibilitou viver esses momentos. E, por fim, minha amizade e gratidão ao Pe. Francisco Cavazzuti, pelos preciosos momentos que estive ao seu lado e pude notar seu testemunho e doação, inspirados no próprio Jesus Cristo.

Welinton Silva é seminarista redentorista, licenciado em filosofia pela Universidade Católica de Goiás, Goiânia.
welintonredentorista@hotmail.com

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Na defesa do Pensamento Crítico


A Unesco Instituiu o dia 21 de Novembro como o dia Internacional da Filosofia. Contudo a formulação de um dia para comemoração desse advento pensante para a humanidade que é a filosofia visa muito mais do que situa-la em nosso calendário civil. Quer-se com isso atrair as atenções da sociedade em geral para o essa ciência tão abrangente e de tamanha importância para os seres humanos. Pensar é próprio do humano. E todo aquele que busca transpor o mundo da experiência visando explicar e entender essa experiência tem aptidão a filosofo. A filosofia é a ciência das causas primeiras sobre a qual nos debruçamos na busca por respostas aos problemas da vida.
A Lei nº 11.684, de 2 de junho de 2008, altera o art. 36 da Lei nº 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias nos currículos do ensino médio (DOU de 3/6/08, MEC, pág. 1).
Aproveito o espaço para refrescar a memória do povo goiano que com certeza não se lembram da infeliz expressão usada pelo deputado Sandro Mabel em 2006. Tentando-se lançar como a terceira via da eterna polarização entre PMDB – PSDB, o referido político em uma entrevista a um jornal da capital disse que se fosse eleito governador “não concederia a distribuição de bolsas para alunos que desejariam cursar filosofia”. Para ele, o auxílio seria mais bem empregado se destinado a cursos mais “ativos” ou de maior ação na sociedade. Na época, a afirmação alimentou debate caloroso.
Quanto arrependimento tal frase não causou ao seu dono. O líder político que aqui se configura, governa para um mundo que produz técnica, reflexos de uma visão industrial de produção em massa. O pensamento e a consciência de quem produzem ou de quem consume não importam. O que conta na realidade é a dinâmica de mercado. Uma situação que talvez ilustrasse bem o tipo de povo para tal líder seria o filme Tempos Modernos (1936) do cineasta britânico Charles Chaplin.
Charles Chaplin quis transmitir uma mensagem social. Máquina tomando o lugar dos homens, as facilidades que levam a criminalidade, a escravidão. A conclusão que se vê: o ser humano é objeto do mercado. Porém as coisas não podem correr para isso. Quando não desenvolvemos uma crítica sobre os diversos temas que nos cercam, acabamos por ter de aceitar idéias que são impostas de fora. Sem filosofia, sem a atitude do pensamento critico a tirania estaria a nossa porta, senão ao nosso lado ou pesando suas resoluções sobre nós.
Procurado pelo mesmo jornal onde concedeu a entrevista em 2006 para comentar a decisão do Senado de incluir filosofia e sociologia no currículo do ensino médio, Sandro Mabel se esquivou do assunto e evitou retornar à polêmica. Disse somente que é o maior fã dessas disciplinas. Interessante.
Mas o problema não é só dos lideres. Nota-se no Brasil uma atitude de acomodação da população de um modo geral. Estamos nos acostumando com a instituição da democracia e seus erros. É bom lembrar: a Ditadura não veio do espaço (uma das primeiras medidas da Ditadura foi retirar a filosofia do ensino médio) e seus reflexos como a violência, corrupção e a desigualdade social, etc., ainda estão presentes. A sociedade estudantil e o povo em geral devem buscar alternativas e caminhos de transformação para a mudança da realidade social que entre nós se instaura.
A Filosofia é, inegavelmente, a disciplina mais necessária e mais viva entre quantas se estudam na escola e se afirmam na cultura e na sociedade. Que tenhamos mais apaixonados pela sabedoria no presente para vermos a fecundidade dessas sementes no futuro.

Welinton Silva é seminarista redentorista, licenciado em filosofia pela Universidade Católica de Goiás, Goiânia.
welintonredentorista@hotmail.com

Artigo publicado na edição nº 7686 de 21 de novembro de 2009 no Jornal Diário da Manhã.

Mais um Sínodo para a Igreja


Um acontecimento importante movimentou a Igreja Católica Romana no período de 5 a 26 de outubro de 2008. Poucos sabem que durante estes dias aconteceu na cidade do Vaticano a XII Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que abordou a interessante temática sobre “A Palavra de Deus na vida e missão da Igreja”.
A preparação deste Sínodo suscitou numerosas iniciativas para o anúncio da Palavra de Deus, ao ponto de vários bispos escolherem como programa pastoral temas relacionados com o Sínodo.
As intervenções feitas pelos Padres sinodais, foram antecedidas pela intervenção do Papa Bento XVI que falou acerca do trabalho exegético. A exegese segundo Bento XVI não deve ser só histórica, mas teológica para o futuro da fé. No entanto, um fato histórico se destaca nesse evento: pela primeira vez na história um líder da Igreja no Oriente participou de um Sínodo Católico. A intervenção do Patriarca Ecumênico Bartolomeu I aconteceu na Capela Sistina. Bartolomeu I discorreu sobre “A Escritura na tradição ortodoxa”, extrapolando os limites de uma cordialidade teológica, mas, apresenta uma verdadeira fraternidade entre as “igrejas irmãs” por parte de seus pastores maiores.
Para Bartolomeu I a Palavra de Deus tem importância fundamental não apenas para a Igreja Católica Romana, mas também para todos aqueles chamados a testemunhar Cristo nos nossos tempos. Ressalta ainda que a Igreja tem necessidade de redescobrir a Palavra de Deus em cada geração e fazê-la emergir com renovado vigor e força persuasiva, também no nosso mundo contemporâneo, que, no profundo de seu coração, está sedento da mensagem de paz, esperança e caridade de Deus.
Já o Papa Bento XVI lembrou, na missa de abertura do sínodo, que a primeira e fundamental tarefa da Igreja é nutrir-se da Palavra de Deus. De fato, afirma ele, se o anúncio do Evangelho constitui a sua razão de ser e sua missão, é indispensável que a Igreja conheça e viva aquilo que anuncia, para que sua pregação seja crível, apesar das limitações e das pobrezas dos homens que a compõem. Neste Ano Paulino, sentiremos ressoar com particular urgência a exclamação do Apóstolo dos gentios: 'Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho'.
Do Brasil, além do Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer (um dos Presidentes delegados do Sínodo), participaram também o Arcebispo de Mariana (MG) e Presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha; o Arcebispo de Belo Horizonte (MG) e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé da CNBB, Dom Walmor Oliveira de Azevedo; o Arcebispo de Ribeirão Preto e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB, Dom Joviano de Lima Júnior e o Bispo de Goiás (GO) e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética da CNBB, Dom Eugène Lambert Adrian Rixen.
As contribuições dos Padres sinodais foram de grande valia. Uma passagem do resumo da Mensagem do Sínodo dos Bispos ao Povo de Deus assim nos exorta: “Queridos irmãos e irmãs, custodiai a Bíblia em vossas casas, lede-a, aprofundai e compreendei plenamente suas páginas, transformai-a em oração e testemunho de vida, escutai-a com amor e fé na liturgia. Criai o silêncio para escutar com eficácia a Palavra do Senhor e conservai o silêncio depois da escuta, porque ela continuará habitando, vivendo e falando-vos. Fazei que ela ressoe no começo do vosso dia, para que Deus tenha sempre a primeira palavra e deixai-a ressoar em vós à noite, para que a última palavra seja de Deus.”.

Welinton Silva é seminarista redentorista, licenciado em filosofia pela Universidade Católica de Goiás, Goiânia.
welintonredentorista@hotmail.com

Artigo publicado na edição nº 7680 de 15 de novembro de 2009 no Jornal Diário da Manhã.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

275 anos de anúncio da Redenção


No próximo dia 9 de novembro a Congregação do Santíssimo Redentor celebra seus 275 anos de existência. Nós, Redentoristas, somos os missionários das Santas Missões Populares; do Pai Eterno e de Nossa Senhora, como o povo carinhosamente nos chamam. A Congregação foi fundada na cidade de Scala, Itália em 1732, pelo Bispo e Doutor da Igreja, Santo Afonso Maria de Ligório.
A Congregação Redentorista é uma resposta de amor dada por Afonso Maria de Ligório à interpelação de Jesus, por meio dos redimidos, carentes do pão da palavra e da eucaristia. Uma resposta com raízes na Sagrada Escritura, salmo 129, no qual o salmista exclama: “... porque junto ao Senhor se acha a misericórdia; encontra-se nele copiosa redenção”.
Atualmente os Redentoristas formam um grupo de aproximadamente 5.500 missionários trabalhando em 76 países, além de inúmeros seminaristas em formação e leigos atuando diretamente na ação missionária. A Congregação possui no Brasil mais de 500 religiosos efetivos, distribuídos em cinco Províncias (grupos maiores) e quatro Vice-Províncias (grupos menores), o que faz de nosso País o maior em número de unidades e de religiosos entre todos os países.
Fazendo memória àqueles que ajudaram a construir essa fecunda história de 275 anos, olhamos para o testemunho de tantos homens que doaram suas vidas em prol do anúncio da redenção aos mais pobres e abandonados. Constatamos a continuidade dos projetos nos diversos segmentos da atuação missionária, através do zelo pelos fiéis nas comunidades, seja atuando nos meios de comunicação de massa que visam atingir a população em geral.
Em Goiás, a Congregação está presente desde 1894, quando os primeiros missionários chegaram a Campininha das Flores, hoje Setor Campinas, de Goiânia. Destacam-se pela pastoral em centros de evangelização com grande participação de fiéis, como os santuários do Divino Pai Eterno, em Trindade, e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na capital goiana.
Muitos foram os serviços desenvolvidos nesses 275 anos de existência pelos Filhos de Santo Afonso e seguidores de Jesus Redentor no anúncio da Boa Nova. Roguemos à Trindade Misericordiosa para que a Congregação possa ampliar cada vez mais o seu trabalho missionário!
Os 275 anos de fundação da Congregação Redentorista serão celebrados pelos Missionários da Província de Goiás, com uma peregrinação a Aparecida, São Paulo, onde participarão do encerramento do Encontro Nacional de Redentoristas, no Santuário Nacional.
O superior geral dos Redentoristas, padre Joseph W. Tobin, expressa desta forma a gratidão pelos 275 anos da Congregação Redentorista: “Nós Redentoristas somos gratos pela nossa missão na Igreja e pela oportunidade de anunciar o mistério da Palavra de Deus, que ilumina os misteriosos caminhos da humanidade e torna possível a plena realização de sua vocação. Acreditamos que o amor de Deus, tornado visível em Jesus Cristo, nos envolve e assim nos tornamos testemunhas da verdade de que, quem segue Cristo, o ser humano perfeito, se torna mais humano.”.

Welinton Silva é seminarista redentorista, licenciado em filosofia pela Universidade Católica de Goiás, Goiânia.
welintonredentorista@hotmail.com

Artigo publicado na edição nº 7673 de 08 de novembro de 2009 no Jornal Diário da Manhã.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Eleições 2008 é na DIFUSORA 640 AM


No dia 5 de outubro a RÁDIO DIFUSORA DE GOIÂNIA vai permanecer no ar das 6 da manhã até o final da apuração, falando tudo sobre eleições. Você que mora fora do Estado de Goiás pode acessar o site: http://www.difusora.am.br/ A programação será a seguinte:

• Das 6 ás 7 – preparação (o acordar dos candidatos, os primeiros movimentos do dia)
• Das 7 às 8 – JORNAL BRASIL HOJE – ESPECIAL – Um resumo das eleições em todo o Brasil e em Goiás (PARA A REDE CATÓLICA DE RÁDIO)
• Das 8 às 12 – A HORA DO VOTO – Entrevistas, repórteres nas ruas, informações, boletins regionais e nacionais, comentários.
• Das 12 às 13 – JORNAL BRASIL HOJE – ESPECIAL – Um resumo da manhã em todo o país e em Goiás (PARA A REDE CATÓLICA DE RÁDIO)
• Das 13 ás 17 – A HORA DO VOTO – Continuação
• Das 17 em diante: BOCA DE URNA E APURAÇÃO DOS VOTOS em Goiás e no Brasil.

A equipe de reportagem número 1 em Eleições já está convocada. são mais de 15 profissionais que estarão trabalhando para que você tenha a informação em tempo real.

Tudo sob a coordenação do Jornalista Laerte Junior, icone da comunicação goiana. Direção Geral: Jornalista e Padre Rafael Vieira.

Acesse http://www.difusora.am.br/ e acompanhe a DIFUSORA 640 AM a numero 1 em Eleições.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Em Goiás "morre" a Rádio 97 FM e nasce a CBN FM


Na era da informação, nada melhor que uma rádio que transmite notícias em tempo integral. A 97 FM, emissora da Organização Jaime Câmara, ganha um novo perfil a partir desta quarta-feira (01), quando passará a fazer parte da Rede CBN Goiânia, “tocando” só notícia durante 24 horas por dia. A nova CBN FM vai integrar a Rede CBN Goiânia, transmitindo simultaneamente a programação noticiosa da CBN AM 1230.
O lançamento oficial do novo perfil da emissora, para clientes, agências de publicidade, autoridades e ouvintes convidados, está marcado para as 19 horas de hoje, no Salão de Eventos da Organização Jaime Câmara. Mas, desde cedo, a rádio já está no ar com sua nova programação.
Atento às preferências do ouvinte, o diretor do Sistema de Rádio da OJC, Raphael Veiga, acredita que a CBN FM vai conseguir atrair um público mais qualificado, sobretudo do sexo feminino e clientes com perfil mais exigente. “Há pessoas que têm resistência às rádios AM. Como estão acostumadas a ouvir FM, temos certeza de que esse segmento vai se identificar melhor com a CBN FM”, afirma.
As duas freqüências de rádio AM e FM oferecem ao ouvinte a transmissão simultânea da Rede CBN, com inserções de informações locais e regionais. Para isso, a emissora investe na estrutura jornalística regional e local, com a formação de uma equipe antenada com tudo o que acontece no Estado e na cidade. “Nossa meta é fazer uma ampla cobertura de todos os fatos que ocorrem na cidade, e estar sempre atentos às necessidades dos ouvintes, criando uma nova cultura de informação”, anuncia a coordenadora de radiojornalismo da OJC, Mariani Ribeiro.
Notícias de fatos importantes do Brasil e do mundo, serviços, trânsito, economia, política, negócios, educação, cultura e todo o tipo de informação farão parte da pauta diária da CBN FM. A meta é que os repórteres estejam atentos a tudo o que ocorrer na cidade informando em primeira mão. “Goiânia cresce a cada dia, e a demanda da população por informações que facilitem o seu dia-a-dia é uma constante. Temos de estar atentos para oferecer o melhor ao nosso ouvinte”, observa Mariani.

Colaborou: Valbene Bezerra

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Geraldo Policiano Nogueira, o GERALDINHO


Meu amigo internalta,
Depois de um bom tempo sem atualizar este espaço, estou de volta para partilhar com você uma reflexão que velho fazendo há alguns anos. Dizem os antigos que “a gente sai da roça mas a roça num sai da gente”. É notório quando encontramos pessoas interioranas que trazem no seu modo de portar e falar, o gostoso jeito do sertão. Sinal de que a roça está presente na vida dessa pessoa simples que se orgulhar de suas origens. Apesar de ser muito novo e ter sido criado na cidade, tenho um pouco da roça no meu coração. Minhas raízes estão lá, na zona rural do interior de Goiás. Mais especificamente, na cidade de Nova Veneza. É colônia de Italianos, os poucos que vieram do continente Europeu. Mas o que mais tem lá são filhos de mineiros, baianos... uma miscelânea brasileira que se revela no “mosaico veneziano”. Tive a oportunidade de um dia desses, em uma de minhas pequenas andanças pelo interior de Goiás, conhecer o filho de um saudoso Senhor. Na cidade de Bela Vista, conheci o filho do Geraldinho Nogueira, o Sr. João Nogueira, que me alegrou com um dos causos que seu pai contava. Mas você deve estar se perguntando, “quem é esse homi gente?” Com a colaboração de Luciano Queiroz*, apresentamos com orgulho, o Goiano, Geraldinho NOGUEIRA.

* Quem nunca se divertiu ao ouvir os "causos" do morador mais famoso de Bela Vista de Goiás?
Geraldo Policiano Nogueira, o Geraldinho, ficou conhecido nacionalmente por ser um homem simples da vida interiorana, mas cheio de histórias para contar.
O ilustre bela-vistense nasceu no dia 18 de dezembro de 1918, na Fazenda Aborrecido. Viveu boa parte de sua vida na Fazenda Nuelo, localizada no município de Bela Vista de Goiás. Casou-se com Joana Bonifácio e com ela teve oito filhos.
Geraldinho gostava muito de participar da Folia de Reis, onde dançava catira, tocava viola e também alegrava as pessoas com suas histórias. No ano de 1984, o contador de causos foi descoberto artisticamente por José Batista e Hamilton Carneiro.
Os apresentadores levaram Geraldinho para as emissoras de televisão. Desde então, os brasileiros passaram a ouvir seus contos. Geraldinho era uma das principais atrações de programas regionais, como Frutos da Terra, e começou a participar de propagandas em Goiás.
Esses trabalhos fizeram de Geraldinho uma figura goiana de destaque. Muitos exploraram o talento daquele homem simples e nem sempre o recompensaram pelo seu valor. O sucesso de seu trabalho não deu retornos materiais aos familiares do artista.
Antes de Hamilton “descobrir” Geraldinho (isso foi em 1984, juntamente com José Batista, quando Hamilton quando gravava matérias para o seu programa Frutos da Terra), ele contava seus causos em todos lugares por onde passava: na roça (principalmente na fazenda Nuelo, onde viveu boa parte de sua vida e nas redondezas de Bela Vista de Goiás), em festas, botecos, folias, quermesses e pasmem, até em velórios!
Depois do “reconhecimento”, Hamilton, conhecedor dos hábitos e costumes do interior goiano, não deixou o humorista perder sua naturalidade e originalidade, mas tratou de fazer uma adequação na linguagem usada por ele para os meios de comunicação. Uma vez feitas essas pequenas alterações, Geraldinho passou a se apresentar em teatros (inclusive no Nacional, de Brasília), rádios e televisão (sobretudo no programa Frutos da Terra, da TV Anhangüera, já fazendo as parcerias presentes nos discos).
Em 1993, Geraldinho faleceu por conseqüência de uma trombose intestinal. Sua história e sua contribuição cultural estão na memória da população de Bela Vista de Goiás.
Os shows do espetáculo “Trova, Prosa e Viola”, mesmo com a morte da sua figura principal, ainda continuam com o mesmo trio e com Geraldinho em imagens no telão, isso graças à sincronia e à tecnologia de hoje, que permitem também que Hamilton, André e Andrade consigam até mesmo conversar com Geraldinho. A montagem e o impacto ao mesmo tempo em que fazem rir, emocionam a platéia.

Welinton Silva.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Para quê serve o jornalismo político?

A pergunta do título pode soar estranha.
Quem trabalha nessa editoria, no entanto, já deve ter se perguntando ao menos uma vez. Jornalista dessa área (incluindo este blogueiro) costuma passar a maior parte do tempo (para não dizer 'todo' o tempo) preocupado com fofocas, com bastidores, com intrigas, com especulações, enfim, com o chamado "jogo político".
As questões que, de fato, são de interesse público (e, portanto, do leitor) geralmente são marginalizadas.
Sem maniqueísmos: é claro que o leitor também não é inocente.
Quando um jornalista da área se aventura a fazer uma matéria de fundo - que investigue, por exemplo, todos os pontos de uma reforma tributária - a resposta do leitor não passa de um bocejo. Matérias assim dão muito trabalho e têm alto interesse público. E pouquíssima repercussão.
Essa justificativa é ótima. A razão de haver tantas matérias sobre intrigas do mundo político seria o desejo dele, leitor.
Também não é assim. Em outros assuntos, nem sempre o que o leitor deseja é o que se publica. É só observar o quanto a cobertura policial dos jornais foi reduzida ao mínimo, embora sempre tenha tido sucesso de público.
Fora os momentos de exceção (casos como Sílvia Calabresi e o casal Nardoni), a rotina da cobertura policial é nunca ser destaque na primeira página, por exemplo.
Jornalista da editoria de política tem hábitos estranhos. Costuma cantar vitória quando publica uma intriga que o concorrente não publicou. Faltando um ano (ou dois anos, ou três anos...) para a eleição seguinte, páginas e páginas são publicadas com especulações sobre quem será o candidato do partido x, da base y ou da coligação z.
O grau de acerto dessas previsões, no entanto, é tão alto quanto o das previsões de outra página do jornal, onde fica o horóscopo.
Jogo de pôquer
O relacionamento do jornalista com suas fontes na área política também não é bem resolvido. Há aqueles que se encantam com o poder (sim, isso ainda existe), outros que apostam em relações pouco republicanas e aqueles que só se preocupam com informações.
Os que se preocupam apenas com informações são, em tese, os mais bem preparados. Costumam trazer informações mais confiáveis ou, pelo menos, desvinculadas de interesses de terceiros.
Ainda assim, mesmo para esse último grupo, o trabalho não é dos mais gratos. Dos que buscam apenas informação, há duas subdivisões: 1) os que fazem perguntas e investigações que não contrariam as fontes; 2) os que fazem perguntas e investigações que exploram as contradições e erros das fontes.
Geralmente os repórteres que exploram as contradições e erros de suas fontes fazem o que se chama de bom jornalismo. São eles que 'salvam' a imagem da profissão. Tanto que os jornalistas desse grupo são os que se destacam. O resto não passa de baba-ovo.
A jornalista norte-americana Janet Malcolm, por exemplo, está entre as que exploram contradições das fontes. Mas ela faz uma autocrítica, como a destacada no início do livro O Jornalista e o Assassino (1991):
"Qualquer jornalista que não seja demasiado obtuso ou cheio de si para perceber o que está acontecendo sabe que o que ele faz é moralmente indefensável. Ele é uma espécie de confidente, que se nutre da vaidade, da ignorância ou da solidão das pessoas. Tal como a viúva confiante, que acorda um belo dia e descobre que aquele rapaz encantador e todas as suas economias sumiram, o indivíduo que consente em ser tema de um escrito não-ficcional aprende - quando o texto aparece publicado - a sua própria dura lição. Os jornalistas justificam a própria traição de várias maneiras, de acordo com o temperamento de cada um. Os mais pomposos falam em liberdade de expressão e do 'direito do público de saber'; os menos talentosos falam sobre arte; os mais decentes murmuram algo sobre ganhar a vida."
Malcolm vai no alvo. É difícil para um jornalista conseguir uma boa informação de sua fonte sem apostar em vaidade, ignorância ou solidão da fonte. Algumas vezes mais, outras vezes menos, estamos sempre 'traindo' quem entrevistamos.
Tudo bem, sem maniqueísmos: as fontes também apostam na vaidade, na ignorância ou na solidão do jornalista. E, muitas vezes, as fontes ganham e o jornalista perde.
Do lado do jornalista ou do lado da fonte, somos como viciados em pôquer: nem o jornalista pára de tentar enganar a fonte, nem a fonte desiste de enganar o jornalista.
Jornalistas ainda têm muito a melhorar. A cobertura política pode e deve ser aperfeiçoada. A democracia, jovem e imatura, explica parte dos problemas.
Outra parte, no entanto, depende exclusivamente de quem trabalha na área. E, claro, há a parte moralmente indefensável, mesmo quando prevalecem as melhores das intenções.
Sobre essa parte, muito pouco a se fazer.

Apenas o óbvio: admitir que a crítica de Malcolm é doída - mas absolutamente verdadeira.

Fonte: Jornal X - Blog do Jornalista Eduardo Horácio.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Comissão ouve hoje denúncias do bispo de Marajó, dom Azcona

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, senador Magno Malta (PR-ES), anunciou que integrantes do colegiado e representantes da Polícia Federal irão à ilha de Marajó (PA) hoje, 24, para ouvir as denúncias do bispo dom José Luiz Azcona Hermoso e de outros dois religiosos sobre exploração sexual de crianças e prática de pedofilia na região.

O bispo aponta o envolvimento de autoridades nos crimes. De acordo com Magno Malta, os religiosos têm sido ameaçados de morte por denunciarem a exploração sexual de meninos e meninas no Marajó.

Não aceitaremos, nem nos acovardaremos frente a qualquer tipo de pressão, assegurou Magno Malta, ao manifestar apoio à atitude corajosa de dom Luiz Azcona. O senador fez o anúncio da visita a Marajó durante reunião da CPI da Pedofilia realizada nesta quarta-feira (23).

Welinton Silva.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Kajuru in Foco

Jorge Reis da Costa, mais conhecido como Jorge Kajuru, (Cajuru, 20 de janeiro de 1961) é um jornalista esportivo, radialista e apresentador de televisão brasileiro.

É um jornalista famoso por suas declarações polêmicas e por se opor ao "merchandising" em programas jornalísticos. Demitido de quase todos os locais em que trabalhou, pediu demissão no ar quando trabalhava na RedeTV!. Já foi dono de emissora de rádio em Goiás, a Rádio K, quando ficava quase que o tempo todo no ar. É conhecido também por não se conter e contar fatos pessoais em seus programas e entrevistas, como a traição a sua então mulher na Copa do Mundo de 1982.

Na RedeTV! deu o número de seu próprio telefone celular ao vivo, e depois teve que cancelá-lo por conta da vultosa cobrança em função das ligações a cobrar.

É inimigo declarado de Milton Neves, a quem ataca por conta do "merchan"; e Marconi Perillo, por questões políticas.

Tem como principais referências profissionais os também jornalistas Juca Kfouri e João Saldanha, ambos conhecidos pelo traço polêmico, mas acima de tudo, ético utilizado em suas carreiras profissionais. Admirador de Telê Santana e Silvio Santos, é também amigo de José Luiz Datena, de quem já foi sócio.

Por seu estilo explosivo e radical, Kajuru é provavelmente o jornalista brasileiro que mais sofreu processos judiciais, sendo condenado em pelo menos um deles, movido por um dono de jornal de Goiás.

Kajuru participou do programa Nada Além da Verdade e ganhou 100 mil reais.

Jorge Kajuru estará essa semana em Goiânia - GO, lançando o seu livro "Condenado a falar" em emissoras de rádio, Tv e em um Shopping na capital, onde dará autografos e promete vender a marca histórica de 500 mil livros... Seu preço popular confirmam as expectativas de se atingir essa marca histórica de vendas. Ao Kajuru o meu abraço e minha solidariedade em todos os momentos. Sou seu amigo, mesmo não o conhecendo pessoalmente. Tenho uma admiração singular por esse jornalista. Até a proxima Bomba.

terça-feira, 22 de abril de 2008

BISPO EMÉRITO ELEITO PRESIDENTE DO PARAGUAI PEDE PERDÃO À IGREJA

Assunção, 22 abr (RV) - O presidente eleito do Paraguai, bispo emérito Fernando A. Lugo Méndez, pediu nesta segunda-feira perdão à Igreja Católica pela "dor" que causou com sua desobediência às leis canônicas, ao se lançar na disputa presidencial.

"Se minha atitude e minha desobediência às leis canônicas causaram dor, peço sinceramente perdão aos membros da Igreja", disse Lugo à imprensa.

Em janeiro do ano passado, ele foi suspenso "a divinis", que significa, segundo o Código de Direito Canônico, que o "sacerdote continua obrigado aos deveres a ele inerentes, embora esteja suspenso do ministério sagrado". Lugo não pode celebrar missas nem ministrar os sacramentos. O bispo emérito pediu para retornar ao estado laico, mas seu pedido foi rejeitado.

O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, não quis avaliar a vitória do prelado, "pois o povo escolhe livremente os governantes".

O Pe. Lombardi recordou que Lugo já não exercia o ministério episcopal há muito tempo por causa da suspensão "a divinis" e que o fato de ter vencido as eleições não significa que a Santa Sé tenha que adotar "urgentemente" novas medidas sobre seu status em relação à Igreja nem que haverá uma espécie de "oposição particular". "Trata-se de uma questão jurídica canônica sobre sua função, seu status na Igreja. Não é um problema de relações diplomáticas", acrescentou.

Sobre o fato de ser a primeira vez em que um bispo é eleito presidente da República, Pe. Lombardi disse que é um feito que "chama atenção e uma situação inédita".

Também a Conferência Episcopal do Paraguai (CEP) se pronunciou a respeito.

Segundo o presidente do episcopado paraguaio, Dom Ignacio Gogorza Izaguirre, bispo Encarnación, cabe à Santa Sé enfrentar essa inédita situação. Dom Gogorza Izaguirre recordou que Lugo, apesar da suspensão "a divinis", ainda é bispo e a Igreja aceita este resultado''.

"Estou pessoalmente muito feliz e contente com o modo como o pleito foi realizado. O povo mostrou que quer mudanças, e indicou Lugo o protagonista desse processo'', disse o prelado.

Dom Adalberto Martínez Flores, bispo de San Pedro, diocese da qual Dom Lugo é bispo emérito, afirmou que os membros da Conferência Episcopal respeitam "o presidente eleito do Paraguai" e manterão "as relações de colaboração entre a Igreja paraguaia e o Estado".

Dom Martínez Flores explicou que a CEP espera que Lugo, por meio da nunciatura em Assunção, defina sua situação com o Vaticano antes de 15 de agosto, data na qual tomará posse.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

As noticias em Fé e Politica

POLITICA EM GOIÁS
O Deputado Estadual pelo PSDB, Daniel Goulart, que mudou seu domicilio eleitoral para Aparecida de Goiânia e é presidente do partido na cidade. Destaca que se for ungido com a apoio do grupo do vice-governador Ademir Menezes, renuncia o seu mandato para concorrer a Prefeitura de Aparecida de Goiânia. o deputado tucano explica o que para ele a candiatura de Maguito Vilela é um cavalo paraguaio.

O deputado Marlúcio Pereira a cada dia tem o discurso mais parecido com o de candidato. Marlúcio destaca que esta doido para iniciar a disputa pela prefeitura de Aparecida de Goiânia, Odeputado cita as derrotas de Maguito Vilela como um costume do ex-senador de sempre estar bem nas pesquisas e não conseguir transformar isso em votos.

VISITA DE BENTO XVI AOS EUA
Ontem, após ter discursado aos bispos americanos, no Santuário da Imaculada, em Washington, o Papa Bento XVI, respondeu a três questões do episcopado americano. Os assuntos abordados foram a evangelização, pratica da fé e o declinio de vocações.

O segundo grande momento do dia do Papa Bento XVI nos EUA, foi o encontro com representantes das Universidades Católicas e com líderes de diversas religiões do país nesta quinta feira, às 17 horas (horário de Brasília). O Papa falou sobre liberdade, sobre fé e razão e sobre o desafio no apostolado da educação, entre outros assuntos.

Welinton Silva.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Bento XVI completa 81 anos


Eleito Papa no dia 19 de Abril de 2005, o Cardeal Joseph Ratzinger, Bento XVI, nasceu em Marktl am Inn, diocese de Passau (Alemanha), a 16 de Abril de 1927 (Sábado Santo), e foi baptizado no mesmo dia.

O seu pai, comissário da polícia, provinha duma antiga família de agricultores da Baixa Baviera, de modestas condições económicas. A sua mãe era filha de artesãos de Rimsting, no lago de Chiem, e antes de casar trabalhara como cozinheira em vários hotéis. Passou a sua infância e adolescência em Traunstein, uma pequena localidade perto da fronteira com a Áustria, a trinta quilómetros de Salzburgo.

Foi neste ambiente, por ele próprio definido «mozarteano», que recebeu a sua formação cristã, humana e cultural. O período da sua juventude não foi fácil. A fé e a educação da sua família prepararam-no para enfrentar a dura experiência daqueles tempos, em que o regime nazi mantinha um clima de grande hostilidade contra a Igreja Católica. O jovem Joseph viu os nazistas açoitarem o pároco antes da celebração da Santa Missa.

Precisamente nesta complexa situação, descobriu a beleza e a verdade da fé em Cristo; fundamental para ele foi a conduta da sua família, que sempre deu um claro testemunho de bondade e esperança, radicada numa conscienciosa pertença à Igreja. Nos últimos meses da II Guerra Mundial, foi arrolado nos serviços auxiliares antiaéreos. Recebeu a Ordenação Sacerdotal em 29 de Junho de 1951. Um ano depois, começou a sua actividade de professor na Escola Superior de Freising.

No ano de 1953, doutorou-se em teologia com a tese «Povo e Casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho». Passados quatro anos, sob a direcção do conhecido professor de teologia fundamental Gottlieb Söhngen, conseguiu a habilitação para a docência com uma dissertação sobre «A teologia da história em São Boaventura».

Depois de desempenhar o cargo de professor de teologia dogmática e fundamental na Escola Superior de Filosofia e Teologia de Freising, continuou a docência em Bona, de 1959 a 1963; em Münster, de 1963 a 1966; e em Tubinga, de 1966 a 1969. A partir deste ano de 1969, passou a ser catedrático de dogmática e história do dogma na Universidade de Ratisbona, onde ocupou também o cargo de Vice-Reitor da Universidade.

De 1962 a 1965, prestou um notável contributo ao Concílio Vaticano II como «perito»; viera como consultor teológico do Cardeal Joseph Frings, Arcebispo de Colónia. A sua intensa actividade científica levouo a desempenhar importantes cargos ao serviço da Conferência Episcopal Alemã e na Comissão Teológica Internacional.

Em 25 de Março de 1977, o Papa Paulo VI nomeou-o Arcebispo de Munique e Freising. A 28 de Maio seguinte, recebeu a sagração episcopal. Foi o primeiro sacerdote diocesano, depois de oitenta anos, que assumiu o governo pastoral da grande arquidiocese bávara. Escolheu como lema episcopal: «Colaborador da verdade». Paulo VI criou-o Cardeal, do título presbiteral de “Santa Maria da Consolação no Tiburtino”, no Consistório de 27 de Junho desse mesmo ano.

Em 1978, participou no Conclave, celebrado de 25 a 26 de Agosto, que elegeu João Paulo I; este nomeou-o seu Enviado especial ao III Congresso Mariológico Internacional que teve lugar em Guayaquil (Equador) de 16 a 24 de Setembro. No mês de Outubro desse mesmo ano, participou também no Conclave que elegeu João Paulo II.

João Paulo II nomeou-o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Comissão Teológica Internacional, em 25 de Novembro de 1981. No dia 15 de Fevereiro de 1982, renunciou ao governo pastoral da arquidiocese de Munique e Freising. O Papa elevou-o à Ordem dos Bispos, atribuindo-lhe a sede suburbicária de Velletri-Segni, em 5 de Abril de 1993.

Foi Presidente da Comissão encarregada da preparação do Catecismo da Igreja Católica, a qual, após seis anos de trabalho (1986-1992), apresentou ao Papa o novo Catecismo. A 6 de Novembro de 1998, João Paulo II aprovou a eleição do Cardeal Ratzinger para Vice-Decano do Colégio Cardinalício, realizada pelos Cardeais da Ordem dos Bispos. E, no dia 30 de Novembro de 2002, aprovou a sua eleição para Decano; com este cargo, foi-lhe atribuída também a sede suburbicária de Óstia.

No dia do seu 81.º aniversário, o Papa é recebido, de manhã, numa cerimónia de boas-vindas no South lawn da Casa Branca, pelo presidente norte-americano, George W. Bush. Posteriormente almoça com os Cardeais dos Estados Unidos, com o Praesidium da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos da América (USCCB) e com a comitiva papal na Nunciatura Apostólica de Washington.

O último compromisso oficial do dia é a celebração das Vésperas e o encontro com os Bispos dos Estados Unidos da América no Santuário Nacional da Imaculada Conceição de Washington.

Fonte: www.vatican.va

terça-feira, 15 de abril de 2008

Papa inicia sua viagem aos Estados Unidos

Iniciou-se hoje a primeira visita do Papa Bento XVI aos EUA. O Santo Padre, de 15 a 20 de abril, passará pelas cidades de Washington e de Nova Iorque. O Papa partiu de Roma poucos minutos depois da hora marcada. A chegada a Washington está prevista para as 16 horas horário local, 17horas horário do Brasil.

Não está prevista para hoje nenhuma cerimônia oficial de boas-vindas, (estas cerimônias serão amanhã, dia em que Bento XVI completa 81 anos), ou qualquer outro compromisso oficial, para que o Papa possa descansar após a longa viagem. A última visita de um Papa aos EUA aconteceu em 1999, quando João Paulo II passou por Saint Louis.

À espera de Bento XVI estarão George W. Bush, com sua esposa, e a presidência da Conferência Episcopal dos EUA, em uma recepção informal.

Em três anos de pontificado, esta é a oitava viagem do atual Papa fora da Itália, depois da Alemanha (Colónia), Polónia, Espanha, Alemanha (Baviera), Turquia, Brasil e Áustria.

Dois momentos particularmente simbólicos marcam sua agenda: o discurso na sede da ONU e a visita aos locais dos atentados do 11 de setembro, o Ground Zero. O Vaticano adiantou que, em relação ao discurso nas Nações Unidas, o Papa irá centrar-se na questão dos Direitos Humanos.

Estão previstos, entre outros, 13 intervenções, encontros com o presidente Bush, com universitários, com jovens católicos, com líderes cristãos e com representantes de outras religiões.

Dia 18, Bento XVI se tornará o terceiro Papa a discursar na sede da ONU, depois de Paulo VI e João Paulo II. O atual Papa irá encontrar-se, em privado, com o Secretário-Geral das Nações Unidas, seguindo para a sala da Assembléia-Geral. Posteriormente terá um encontro privado com o presidente da Assembléia, o presidente do Conselho de Segurança e os 60 representantes deste organismo.

No último sábado, o Papa deu indicações de alguns dos temas fortes que levará a Nova Iorque ao pedir à comunidade internacional que empreenda o caminho do desarmamento global, construindo as bases de uma "paz duradoura", num humanismo renovado.

Rádio Vaticano

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Dom Estêvão Bettencourt: servo de Deus, filho dileto da Igreja

Partiu para estar com Cristo Dom Estevão Tavares Bettencourt, sacerdote e monge beneditino, incansável professor de teologia e defensor da fé católica. Que o Senhor o acolha nos prados do Bom Pastor e lhe conceda a recompensa dos servos bons e fiéis!
No mundo é raro alguém pelo vigor da fé, coerência e lucidez intelectual alcançar na vida tamanha densidade de trabalho como conseguiu o monge beneditino D. Estevão Bettencourt, OSB, do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro.
Nele se encontraram o ideal dominicano de Tomás de Aquino 'contemplata aliis tradere' [dar aos outros as coisas contempladas], plasmado numa vida religiosa beneditina de 'ora et labora' [oraçao e trabalho]. D. Estevão nasceu e foi batizado como Flávio Tavares Bettencourt, no Rio de Janeiro aos 16 de Setembro de 1919. Em 1923 viajou com os pais para Paris, onde permaneceu até 1928. Em Paris iniciou seus estudos no Lycée Buffon. Quando do retorno ao Brasil, retomou seus estudos no Colégio de São Bento do Rio de Janeiro, onde de 1931 a 1935, fez o curso fundamental [antigo ginasial]. O convívio diário com os monges o fez conhecer e amar a vida monástica. Tendo concluído o curso fundamental, entrou no Mosteiro a 1 de Fevereiro de 1936. Recebeu o hábito a 6 de Outubro de 1937. Em razão de sua devoção aos mártires da Igreja Primitiva, teve como padroeiro onomástico o protomártir S. Estevão. Seus primeiros votos foram emitidos a 7 de Outubro de 1937 na sala capitular do Mosteiro. Foi mandado por D. Tomás Keller para Roma - a fim de doutorar-se em Filosofia no Pontifício Ateneu de Santo Anselmo - em Novembro de 1937, permanecendo lá até 1945. Recebeu o grau de Bacharelado em Julho de 1939 e prestou exame de Licenciatura em 18 de Maio de 1940. Fez sua Profissão Solene aos 7 de Novembro de 1940 em Monte Cassino [o mesmo Mosteiro em que Tomás de Aquino recebeu os seus primeiros ensinamentos]. Recebeu o Diaconato aos 12 de Julho de 1942. Foi ordenado sacerdote aos 18 de Julho de 1943, na Igreja de S. Agnese na Piazza Navona. Em Novembro de 1944 defendeu a tese de Doutorado sobre Orígenes.
Chegou ao Rio aos 2 de Fevereiro de 1945. Neste mesmo ano assumiu a Cátedra Bíblica na Casa de Estudos da Congregação Beneditina do Brasil. Lecionou também na Universidade Santa Úrsula de 1946 a 1980; na Pontifícia Universidade Católica de 1958 a 1961 e de 1968 a 1974; na Universidade Católica de Petrópolis de 1968 a 1978; no Instituto Superior de Teologia da Arquidiocese do Rio de Janeiro desde 1985; na Escola Superior de Catequese 'Mater Ecclesiae', na Escola 'Luz e Vida' de Catequese, no Instituto Pio X do Rio de Janeiro de 1957 a 1958. É Diretor e Redator de Pergunte & Responderemos, desde 1957. Sobre a pessoa e o pensamento deste ilustre beneditino escreveu muito bem o Professor Edson de Castro Homem que nos diz: 'De fala mansa, é vigoroso no que diz. De tom suave, é sonante no que defende. Convence pelos argumentos e não pela retórica. Insiste na concisão e no necessário, sem resvalar-se na prolixidade e na repetição. Põe a inteligência a serviço do ensino e sobretudo da difusão da fé...
Pensador do século XX, debateu-se contra o fideísmo e o ceticismo, contra o relativismo e o dogmatismo, contra o niilismo e o fundamentalismo em vários autores e tendências do pensamento...Conseguiu permanecer fiel não só à metafísica, mas também à teoria do conhecimento tomista, admitindo os limites da razão em face à fé, reconhecendo a superioridade desta, mas sem humilhar nem desqualificar a razão num 'cogito' fechado ao ser e à transcendência porque o vê aberto e capaz de conhecer a verdade revelada e de refletir toda a realidade inclusive o Mistério'. Tomás era dominicano com espírito beneditino e D. Estevão é beneditino com espírito dominicano. Há quase 50 anos [desde 1957] este amigo e incansável monge publicou sozinho, mensalmente, a revista Pergunte & Responderemos, que a muitos tem ajudado no fortalecimento da fé cristã. Como Tomás de Aquino, D. Estevão não se vale do argumento de autoridade da verdade de fé para convencer, senão que pelo trilho da razão, aproxima o interlocutor ao conteúdo da fé. Nele vemos o labor de conciliar a fé e a razão. Talvez este tenha sido o seu grande trabalho ao longo destas quase cinco décadas. Mas o grande exemplo é a coerência no ideal de vida cristã. Que Deus o recompense pelo imenso trabalho prestado em favor de todos os que tem sede de Sabedoria...e Saudade de Deus.
Agora que partiu para a Casa do Pai, o Senhor o acolha na glória, em companhia da Toda Santa Virgem Maria, de todos os santos monges e santos teólogos que ilustraram e defenderam a fé da Igreja para o bem do rebanho de Cristo!

Requiescat In Pax!

Homenagem Blog do Welinton Silva.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Iniciam atividades da 46ª Assembléia Geral da CNBB


46ª Assembléia Geral da CNBB inicia seus trabalhos nesta quarta-feira, 2, em Itaici, Indaiatuba (SP), com uma celebração às 8h15, presidida por Dom Geraldo Lyrio Rocha, Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
Esta é a primeira Assembléia conduzida pela nova presidência da CNBB, eleita no ano passado, Dom Geraldo Lyrio Rocha, Arcebispo de Mariana (MG), Dom Luiz Soares Vieira, Arcebispo de Manaus (AM) e Dom Dimas Lara Barbosa, Bispo auxiliar do Rio de Janeiro.
Estão presentes 302 Bispos de todo Brasil, o Núncio Apostólico Dom Lorenzo Baldisseri, além de administradores apostólicos (padres que administram dioceses que estão sem bispos), Secretários Regionais da CNBB, assessores, funcionários e convidados, totalizando 420 participantes.
Nesta manhã os Bispos farão duas sessões, na primeira, Dom Geraldo apresentará o relatório das atividades da Conferência do último ano. Já na segunda sessão, os bispos aprovarão as pautas e as comissões de trabalho da Assembléia.
Os trabalhos seguem na parte da tarde, quando através de duas sessões serão apresentadas aos Bispos a Análise de Conjuntura social, política e econômica e, Análise de Conjuntura eclesial. Esta será feita pelo Arcebispo de Aparecida (SP) e presidente do CELAM, Dom Raymundo Damasceno.
As atividades do primeiro dia serão encerradas com a Celebração Eucarística às 18 horas, presidida pelo Núncio Apostólico Dom Lorenzo Baldisseri.

Liliane Borges
Indaiatuba (SP)

domingo, 23 de março de 2008

FELIZ PÁSCOA!

A você, neste tempo:
desejo que a vida seja plena em Ti.
Que a Luz do ressuscitado resplandeça no seu coração.
Enfim, que o amor ressuscite em sua vida.
Com os meus sinceros votos de Feliz Páscoa !
Um forte abraço!
Welinton Silva.

domingo, 16 de março de 2008

Minha “política” é o Evangelho!


“Aqueles que não gostam da política são governados por aqueles que gostam.” Trata-se de um pensamento que expressa a realidade deturpada daquilo que chamamos de “política”. Palavras como corrupção, lavagem de dinheiro, sonegação de impostos, desvio de verbas públicas, cargos comissionados, nepotismo parecem estar associadas ao exercício do poder tantos são os escândalos que vemos todos os dias. No exercício da política, muitos são aqueles que trocam os interesses do povo pelos negócios escusos e sorrateiros dos partidos ou mesmo pessoais. Infelizmente, muitos daqueles que deveriam defender a causa dos pobres acabam traindo-os, quando afugentam dinheiro público em benefício próprio. Compram-se casas, adquirem-se carros, pagam-se viagens, constroem-se hospitais, aumentam-se alqueires de fazendas, inauguram-se contas no exterior “financiadas” por nós, contribuintes. De eleitores, nos transformamos em mantenedores do luxo, das frivolidades e da vida fácil na política, desde a federal à municipal. É triste avaliar, mas, em vários setores governamentais, a política tornou-se sinônimo de corrupção.
Assumir a verdadeira política é uma vocação humana e social visando o bem comum. Antes de pertencer a um determinado partido, muitos políticos deveriam pertencer ao povo que os confia e delega um mandato. Ele é outorgado pela população civil. A história comprova que não poucas vezes por detrás dos títulos de presidente, senador, governador, deputado, prefeito e vereador estão as histórias de tantos Joãos e Marias oprimidos pela fábula do poder, ludibriados pela esperança nas promessas feitas em palanques e massacrados pela pobreza cotidiana que perdura e cresce. Trair a estes pequeninos e se enriquecer às suas custas são o mesmo que ferir o coração do Pai Eterno.
O atual sistema tem feito os ricos cada vez mais ricos e os pobres infinitamente mais pobres, tanto é que, abaixo dos pobres, já existem os “miseráveis”, uma, por assim dizer, “sub-raça” de homens que matam a fome e acabam não vivendo como merecem: pessoas que não têm o que comer, o que vestir nem onde morar. Estes últimos são os filhos diretos da miséria imerecida e das doenças negligenciadas pelo poder público: dengue, febre amarela, cólera, leptospirose, diarréia, desnutrição e malária, capazes de matar 226 brasileiros por dia. Um total de 82,5 mil mortes por ano como conseqüência explícita do abandono e do descaso público em relação à saúde. Muitas das pessoas mais próximas de mim já contraíram dengue. Estou na fila dos que em breve vão começar a sentir estes sintomas do descaso público.
No exercício presbiteral, tenho sofrido com o sofrimento do povo. Pessoas acorrem ao Santuário e partilham suas experiências de dor e de indignação política. Candidatos que tiram o último centavo para fazer um concurso público já previamente definido antes mesmo das provas serem realizadas; usuários vexados com o descaso do transporte coletivo tanto na qualidade quanto na segurança; romeiros que pagam impostos e não têm direito a um ônibus direto para o Santuário; mães e pais de família que suam durante o dia para serem baleados após um dia de serviço. Onde está a segurança pública, a educação, a assistência social, a saúde de qualidade?
No meio disso tudo, me resta uma fresta de esperança. Que as pessoas pensem nas outras! Que o egoísmo seja deixado de lado! Que o bem comum seja colocado como centro das atenções do poder público! Que ninguém aproveite das oportunidades mais sutis para se colocar como “bonzinho” usando a imagem dos que lutam pelo bem comum!
Vamos rezar pelos nossos políticos. A tentação do poder que corrompe e não se traduz em serviço está na alma de todo ser que respira. Até o Cristo foi tentado pelo Diabo! Como não seria com aqueles que estão diante dos oásis financeiros das oportunidades de se enriquecerem facilmente?! Rezemos e não fiquemos calados diante deste mundo sem Deus! Digo com clareza que O EVANGELHO É A MINHA POLÍTICA!

Pe. Robson de Oliveira Pereira é C.Ss.R., missionário redentorista, reitor da Basílica de Trindade e mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

São Clemente Maria Hofbauer



Ontem (15/03), recordamos o testemunho de vida de São Clemente, que nasceu na Áustria, no ano de 1751. Nascido numa família muito pobre, perdeu o pai ainda criança, quando então, sua piedosa mãe disse-lhe com franqueza sobre a Paternidade de Deus e declarou: "Procura andar sempre no caminho que seja agradável a Deus".

Todas as palavras da mãe foram tão férteis no coração de Clemente, que ele sempre andou nos caminhos de Jesus. Depois de muito trabalho e sofrimento, conseguiu cursar Filosofia, Teologia e, logo, foi ordenado padre missionário dos Redentoristas.

São Clemente Maria, como sacerdote, partiu para a Alemanha e tornou-se um grande evangelizador, e por fazer o bem com tanto ardor a Igreja local tornou-se centro e fonte de vida espiritual, já que as confissões aumentavam e muitos se convertiam. Confiante na Divina Providência, construiu conventos, asilos e outras manifestações do Evangelho, as quais atraíram o coração de muitos, inclusive dos austríacos.

Clemente, grande pregador e confessor, morreu com 70 anos de idade e, no Céu está intercedendo pela Nova Evangelização que agora cabe a todos nós.

São Clemente Maria Hoffbauer, rogai por nós!

sexta-feira, 14 de março de 2008

Morre fundadora do Movimento dos Focolares


Num clima sereno, de oração e de intensa comoção, Chiara Lubich, fundadora e presidente do movimento dos Focolares, morreu na madrugada desta sexta-feira, 14, aos 88 anos, na sua casa, em Rocca di Papa, perto de Roma.

Já havia sido hospitalizada, no Hospital Gemelli, na capital italiana, em fevereiro para realizar exames, quando teve complicações respiratórias. Nesta quarta-feira, 12, diante da inexistência de reação ao tratamento, os médicos atenderam o desejo expresso pela própria Chiara de voltar para casa junto à comunidade dos Focolares, que também em todo o mundo estava em profunda oração por ela.

Ontem, durante todo o dia, centenas de pessoas – familiares, estreitos colaboradores e os seus filhos espirituais – passaram pelo seu quarto para lhe dar o último adeus, ficando depois em recolhimento na capela contígua, e finalmente rezando, no jardim da casa de Chiara. Uma ininterrupta e contínua procissão. A alguns, Chiara fez um aceno com a cabeça, apesar da extrema debilidade.

Continuam a chegar, de todas as partes do mundo, mensagens de participação e de plena comunhão por parte de alguns líderes religiosos, políticos, académicos e civis, e de muita gente do “seu” povo.

O funeral será na próxima terça-feira, 18, às 15h (horário de Lisboa), na Basílica Papal de São Paulo fora de muros, em Roma.

Fonte: Agência Eccclesia.

“Os saborosos frutos da alma mortificada”

Estes são os saborosos frutos da alma mortificada: compreensão e transigência para as misérias alheias; intransigência para as próprias. (Caminho, 198)

Penitência é tratar sempre com a máxima caridade os outros, começando pelos da tua própria casa. É atender com a maior delicadeza os que sofrem, os doentes, os que padecem. É responder com paciência aos maçantes e inoportunos. É interromper ou modificar os programas pessoais, quando as circunstâncias - sobretudo os interesses bons e justos dos outros - assim o requerem.

A penitência consiste em suportar com bom humor as mil pequenas contrariedades da jornada; em não abandonares a tua ocupação, ainda que de momento te tenha passado o gosto com que a começaste; em comer com agradecimento o que nos servem, sem importunar ninguém com caprichos. (Amigos de Deus, n. 138)

São Josemaria Escrivá.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Vaticano não publicou nova lista de pecados capitais


Declaração a interpretações de imprensa
«O Vaticano não publicou uma nova lista dos sete pecados capitais», esclareceram nesta terça-feira fontes da Igreja Católica.

A Sala de Comunicação da Conferência Episcopal da Inglaterra e Gales emitiu um comunicado para fazer esta declaração em resposta a vários artigos de imprensa.

«Não existe nenhum edito vaticano novo», declara o comunicado, explicando que a confusão se deve à interpretação que alguns órgãos informativos fizeram de uma entrevista publicada na edição italiana cotidiana de «L’Osservatore Romano», com data de 9 de março.

O entrevistado é Dom Gianfranco Girotti, bispo regente do tribunal da Penitenciaria Apostólica. O penitenciário maior é o cardeal americano James Francis Stafford.

O jornalista Nicola Gori perguntou ao prelado: «Quais são, segundo o senhor, os novos pecados?».

«Há várias áreas dentro das quais hoje percebemos atitudes pecaminosas em relação aos direitos individuais e sociais», responde Dom Girotti.

«Antes de tudo a área da bioética, dentro da qual não podemos deixar de denunciar algumas violações dos direitos fundamentais da natureza humana, através de experimentos, manipulações genéticas, cujos efeitos é difícil prever e controlar.»

«Outra área, propriamente social, é a área das drogas, com a qual a psique se enfraquece e a inteligência obscurece, deixando muitos jovens fora do circuito eclesial.»

Está também «a área das desigualdades sociais e econômicas, pelas quais os pobres se tornam cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos, alimentando uma insustentável justiça social; a área da ecologia, que reveste hoje um importante interesse».

quarta-feira, 12 de março de 2008

Papa nomeia novo bispo Redentorista


O Papa nomeou Bispo de Garanhuns (Brasil) o Revmo Pe. Fernando José Monteiro Guimarães, C.Ss.R., até agora Chefe de Gabinete da Congregação para o Clero.

O Revmo. Pe. Fernando José Monteiro Guimarães, C.Ss.R., nasceu no dia 19 de julho de 1946, em Recife, no Estado de Pernambuco, arquidiocese de Olinda e Recife.

Freqüentou o Seminário Menor dos Redentoristas em Garanhuns e os estudos superiores no Seminário Redentorista de Campina Grande. No dia 25 de janeiro de 1965 fez a Profissão Religiosa como membro da Província Redentorista do Rio de Janeiro. Sua Profissão Perpétua teve lugar a 13 de dezembro de 1969. Cursou os estudos de Filosofia e Teologia no Seminário Maior Redentorista de Juiz de Fora, Estado de Minas Gerais. Foi ordenado sacerdote no dia 15 de agosto de 1971. Mais tarde obteve a Licença em Filosofia na Faculdade "Dom Bosco", em São João del Rei, MG. Doutorou-se em Teologia Moral na Academia Alfonsiana em 1989 e conseguiu a Licença em Direito Canônico no Ateneu Romano de Santa Cruz

Atualmente é Chefe de Gabinete da Congregação para o Clero, Membro da Comissão Especial para tratar as Causas de declaração de nulidade da Sagrada Ordenação e de dispensa das obrigações do diaconato e do presbiterato; Comissário deputado para tratar as causas de dispensa do Matrimônio rato e não consumado; Consultor da Congregação para as Causas dos Santos; Juiz externo do Tribunal de Apelo do Vicariato de Roma.

Padre Guimarães será ordenado bispo na igreja de Santo Afonso em Roma, no dia 31 de março de 2008. Será principal consagrante o Cardeal Cláudio Hummes, O.F.M, Prefeito da Congregação para o Clero. Ainda não se sabem os nomes dos Co-consagrantes.

A diocese de Garanhuns, sufragânea da Arquidiocese de Olinda e Recife, tem, conforme o Annuario Pontificio, aproximadamente 550.000 católicos, 27 paróquias, 41 sacerdotes, 29 religiosos e 94 religiosas.

Fonte: Boletim Redentorista Scala.

terça-feira, 11 de março de 2008

Filme sobre Padre Pelágio será lançado hoje


A Fundação Aroeira, a Kanal Cine Vídeo e Arquidiocese de Goiânia lançam hoje (11), o filme “O Servo de Deus, Padre Pelágio”. O documentário dirigido por Débora Torres, que também assina o roteiro, e por Marcelo Miranda, revive a trajetória de vida de um dos mais importantes religiosos de Brasil e principalmente de Goiás. O filme conta com o apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

Com depoimentos de pessoas comtemporâneas a Pe. Pelágio, a obra traz cenas ficcionais com reconstituição de época, gravadas no interior de Goiás (as regiões de Trindade, Inhumas e Silvânia serviram de locação para o filme) o documentário pretende ser um registro importante de sua memória.

Padre Pelágio nasceu em 1878 em Hausen am Thann, na Alemanha, e chegou ao Brasil em 1909 onde atuou e viveu por 52 anos até a sua morte, em 1961. Dos 52 anos de trabalho em território brasileiro, 47 foram só em Goiás. Desses 47 anos, a maior parte foi dedicada à causa da população carente do sertão goiano. Tinha o hábito de percorrer centenas de comunidades, quase sempre a cavalo, tornando-se conhecido e estimado pelo povo.

O local onde mais trabalhou foi o Santuário dedicado ao Divino Pai Eterno, localizado no município de Trindade, Região Metropolitana de Goiânia. Atualmente, encontra-se em andamento no Vaticano, o processo de beatificação de Padre Pelágio.

O lançamento será às 19 horas no Cine Goiânia Ouro, que fica na Rua 3, esquina com Rua 9, no Centro.

Welinton Silva.

sábado, 8 de março de 2008

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Padre Jesus Flores de volta à Difusora Goiânia e ao Jornal Brasil Hoje



Padre Jesus Flores, jornalista de maior credibilidade em Goiás e um dos fundadores da Rede Católica de Rádio, retornou aos microfones da Rádio Difusora de Goiânia (am 640 kHZ) no dia 11 de fevereiro. Ele estava afastado da emissora há 3 anos. Padre Jesus Flores voltou a fazer comentários diários no Jornal Brasil Hoje (edições Nacional e Regional) e no Rádio Livre, programa jornalístico local na Difusora, que vai ao ar das 8:00 ás 9:00.
O retorno do Padre Jesus Flores foi motivo de muita alegria para a direção, funcionários e ouvintes da Difusora.
Desde o final da década de 70 o padre/jornalista vem usando sua voz em defesa da justiça, da democracia e da cidadania. Centenas de ouvintes e autoridades saudaram a volta do Padre Jesus Flores aos microfones da Difusora Goiânia.

Welinton Silva.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Legislação e vida: desafios e propostas


Membro da Pontifícia Academia para a Vida e presidente da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, doutor Humberto Leal Vieira palestrou na manhã deste sábado, no I Congresso Internacional em Defesa da Vida, em Aparecida (SP), sobre o tema “Legislação e vida: desafios e propostas”.

O advogado aponta, na Constituição Brasileira, o direito à inviolabilidade da vida do ser humano desde sua concepção e declara que, embora a legislação dos países da América Latina protejam os nascituros da “cultura da morte”, ao mesmo tempo, insistem na mudança da legislação, visando tornar legal a prática do aborto.

Doutor Leal diz que o trabalho em defesa da vida deve basear-se em três etapas. O primeiro, consiste em informar, informar e continuar informando. O eleitor deve ser informado sobre o trabalho de seu parlamentar, este, por sua vez, precisa estar ciente do que está por traz da legalização do aborto. A gestante também precisa saber que em seu útero está o seu filho; não um conjunto de células. O segundo passo é votar em candidatos comprometidos com a defesa da vida e acompanhar seu trabalho no legislativo.

No que se refere à insatisfação do eleitor quanto a atuação do seu candidato, o conferencista aconselha que esse proteste e retire sua procuração. Essa atitude pode ser expressa por fax-símile, e-mail, carta ou diretamente por telefone. Além desses meios, volantes e faixas devem ser colocadas na base eleitoral, pois são de grande efeito.Todas essas manifestações precisam estar relacionadas ao voto, porque esta é a “bala na agulha” do eleitor, afirmou o palestrante.

Outro ponto importante destacado no discurso do conferencista é a conscientização da sociedade que tem de conhecer o verdadeiro interesse político que há por traz da legalização do aborto, pois, “a maioria das estatísticas em relação ao aborto são falsas ou trazem apenas meias verdades”, relatou

Michelle Mimoso
Canção Nova Notícias, Aparecida

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Estado laico e Estado ateu


Recebi esta matéria do Dr. Paul Medeiros Krause de Belo Horizonte (MG). Nele o Procurador explica muito bem que estamos rumando para um Estado totalitário e ateu, e não para um Estado laico. Os católicos precisam entender isso… e agir. O silêncio dos bons é a causa da vitória dos maus.

Welinton Silva.

Sob o pretexto de construir um Estado laico, os pensamentos marxista e liberal, filhos do iluminismo burguês, pretendem, na verdade, implantar um Estado totalitário confessional: ateu. O argumento fácil do Estado laico, utilizado como a panacéia de todos os males, presta-se a iludir os incautos, pois o que em realidade se deseja é que o Estado possua uma crença oficial: o ateísmo institucionalizado, com sua doutrina moral complacente.

Já que a inexistência de Deus nunca foi provada, só poderemos designar o ateísmo de crença, pois não se baseia em dados objetivos, demonstrados racionalmente.

Gustavo Corção, partindo da idéia magistral de Santo Agostinho, distinguiu, em “Dois Amores – Duas Cidades”, duas formas de civilização: a antiga, clássica, e a medieval, caracterizadas pela prevalência do homem interior, pela convicção da existência de uma alma racional, nota essencial do ser humano e criadora de cultura, como também de valores transcendentes que norteiam-lhe a existência, dentre eles a solidariedade; e a civilização moderna, em que predominam o homem exterior e correntes de pensamento materialistas, que negam a existência de uma alma racional no homem, e, por outro lado, privilegiam o indivíduo, o egoísmo, prometendo o paraíso na terra: a distribuição igualitária dos bens materiais ou o exercício absoluto da liberdade.

Extraordinariamente precisa é a afirmação de um dos personagens de Dostoiévski, em “Irmãos Karamazóvi”: “Se Deus não existe, tudo é permitido”. É da premissa falsa da inexistência de Deus que os filósofos ateus, marxistas, liberais, utilitaristas e existencialistas, tiraram as suas conclusões. Para eles, não há racionalidade no cosmos, na natureza, no universo, porque não conseguiram explicar a sua origem sem um Ser Criador. De fato, o pensamento ateu vangloria-se de ter demonstrado a inexistência de Deus, sem, contudo, tê-lo feito. O seu desenvolvimento é viciado e enganoso desde o início. Baseia-se em um dogma de fé improvado: Deus não existe. Infelizmente, muitos endossam as suas teses e a sua moral relaxada sem atinar para o seu crasso vício de origem. Encampam-nas, tais pessoas, sem qualquer indagação mais ou menos profunda sobre a sua gênese.

Para as filosofias ateístas, notadamente a marxista e o liberalismo radical, as vítimas da sociedade ou o indivíduo, respectivamente, podem tudo: matar e mentir em nome da revolução socialista, realizar abortos, dar cabo à própria existência e viver uma sexualidade conforme o seu gosto pessoal. O aborto e a vivência de uma sexualidade contrária à natureza humana passam a ser “direitos humanos”. Com efeito, inúmeros projetos de lei e decisões judiciais brasileiros inspiram-se em correntes de pensamento ateístas e agnósticas, que se presumem mais racionais, mas que são incapazes de identificar uma lógica no mundo objetivo da natureza, em que se insere a dualidade de sexos. Trata-se de uma ideologia racionalista, deturpação da racionalidade. Tal ideologia é estimulada por poderosas instituições internacionais, como a Fundação Ford e a Fundação MacArthur. Uma breve consulta na internet permite a qualquer um verificar o quanto tais fundações destinaram de recursos a pesquisas e a projetos de pós-graduação em universidades de diversos países, inclusive do Brasil, com afronta à soberania de tais nações e sabe-se lá com que objetivos.

Em resumo: a legalização do aborto, da prostituição, da eutanásia, da união civil e da adoção por homossexuais, do uso de drogas decorrem diretamente de correntes de pensamento ateístas (o neomarxismo da Escola de Frankfurt e o neoliberalismo radical). É preciso que a população tenha isso presente, para que se dê conta de que o Estado brasileiro caminha para se tornar um Estado com religião oficial e não um Estado laico: um Estado totalitário ateu, que decretou a morte de Deus e que investe duramente contra a liberdade religiosa. Um Estado cujo deus é o individualismo, e cujo paraíso é o prazer material.

Dr. Paul Medeiros Krause é Procurador do Banco Central em Belo Horizonte (MG), e bacharel em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

A volta do Pão e Circo para o povo...


Em Trindade, distante 18 quilômetros de Goiânia, o prefeito George Morais (PSDB) distribuiu durante o carnaval o VALE CERVEJA.
O folião recebia um cartão com o carimbo da secretaria de finanças da prefeitura e trocava por uma cerveja em lata.
Divulgou-se que foram 15 mil latinhas. O prefeito negou e disse que foram 4 mil.
George Morais também negou que a bebida tenha sido paga com dinheiro público. Ele disse que foi um incentivo da iniciativa privada e que a intenção da prefeitura era alegrar os foliões da cidade.

Nessa o Dr. George Morais se deu mal. Agora a ação será investigada pelo Ministério Público (MP-GO) e poderá resultar na abertura de ações de improbidade administrativa e penal contra o prefeito George Morais (PSDB). A promotoria abriu ontem inquérito civil para averiguar se o tucano aplicou recursos públicos na compra da bebida alcoólica, entregue no Carreiródromo Municipal por meio da apresentação de um cupom. Certamente em Trindade às coisas não vão tão bem para o prefeito ter de se preocupar com cervejas no carnaval. Por essa o Dr. promessa não esperava...

Welinton Silva

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

A DIGNIDADE DO OUTRO


A Campanha da Fraternidade 2008 nos convida a celebrarmos a nossa dignidade pessoal e a lutarmos pelo reconhecimento e respeito pela dignidade do outro






A dignidade se baseia no reconhecimento da pessoa como ser digno de respeito. É uma necessidade emocional que todos nós temos de reconhecimento público de se ter feito bem as coisas, em relação a autoridades, amigos, círculo familiar, social, entre outros.

O objetivo geral da CF é levar a Igreja e a sociedade a defender e a promover a vida humana, desde a sua concepção até a sua morte natural, compreendida como dom de Deus e co-responsabilidade de todos, na busca de sua plenificação, a partir da beleza e do sentido da vida em todas as circunstâncias, e do compromisso ético do amor fraterno.

Se as exigências éticas de Jesus constituem tropeços para o ser humano moderno, somente o são em virtude de sua vontade egoísta, mas não de sua inteligência. A alma só é bela pela inteligência, e as outras coisas, tanto nas ações como nas intenções, só são belas pela alma que lhes dá a forma da beleza.

Precisamos nos ajudar a olhar a realidade com clareza e coragem, para poder fazer as escolhas também nós como pessoas humanas, no sentido pleno do termo, conhecendo o que estamos fazendo e o porquê, qual a finalidade.

Com certeza estamos todos perplexos, principalmente quem está na linha de frente, diante das situações de miséria que se perpetuam e do poder com que a biotecnologia nos dotou. O que fazer? Para tentar passos que nos levem, como sociedade, a nos aproximarmos da meta, antes de tudo é preciso ter clareza sobre qual é a meta.

Se a complexidade é tamanha, não se pode pensar em resolver a situação agindo só em um fator, por exemplo, eliminando a parte mais frágil. Talvez nenhum de nós tenha a resposta na ponta da língua, de como resolver, mas podemos nos ajudar no caminho: aconteça o que acontecer, a meta é o direito de cada pessoa humana à vida, e a uma vida que tenha beleza e sentido, mesmo na dor e na dificuldade.

Nesse sentido, a Campanha da Fraternidade 2008 nos convida a celebrarmos a nossa dignidade pessoal e a lutarmos pelo reconhecimento e respeito pela dignidade do outro, especialmente dos ainda não-nascidos, dos doentes, dos idosos, dos miseráveis, dos famintos, dos analfabetos, dos marginalizados e dos excluídos em geral.


Pe. Eduardo Rocha Quintella
Bacharel em Teologia – pelo C.E.S. – Juiz de Fora – MG